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Review: ‘A Cura’ tenta desafiar o gênero do terror

Review: ‘A Cura’ tenta desafiar o gênero do terror

gradecmaisQuando um filme está pronto é chegada a hora de ser lançado no mercado e assim dá-se início ao processo de divulgação. Nesse momento o trabalho do marketing é fundamental para derrubar ou alavancar um filme, vide o recente caso dos títulos de heróis da Warner Bros. Contudo, em filmes como A Cura (A Cure for Wellness) não é possível saber a premissa do filme até vê-lo de fato.

O jovem Lockhart (Dane DeHaan) é enviado para os Alpes Suíços por seus superiores para encontrar e trazer de volta um dos sócios da empresa na qual trabalha, pois é ele quem detém o poder de mudar as coisas por lá. Só não esperava encontrar tanta resistência por parte dos funcionários e até do próprio Diretor (Jason Isaacs) do Instituto Volmer, que insistem que o Sr. Pembroke (Harry Groener) não deve ser incomodado com assuntos estressantes como trabalho, pois está ali para relaxar. Acontece que Lockhart tem um prazo que precisa cumprir e fará de tudo para entrar em contato com o empresário, mesmo que isso signifique ir até as últimas consequências.

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Esta é apenas uma das inúmeras formas de descrever o plot do filme já que A Cura não é nada daquilo que esperávamos e cada um que assistir terá uma percepção diferente do longa.

Tem um pouco de outros filmes como Albergue, Ilha do Medo, Frankenstein e até mesmo do Drácula. E está tudo ali entranhando nos corredores do Instituto em meio a funcionários austeros e que só se comunicam em alemão e um Diretor que não chega exatamente a ser um vilão. Verbisnki apela para clichês que funcionam até certo ponto, mas que vão confundir o espectador que ficará sem entender qual é a proposta final do filme. Seria resgatar o empresário? Conseguir fugir de um lugar que ninguém fugiu antes? Salvar a donzela em perigo? Descobrir a verdade sobre o Instituto? Libertar todos os pacientes? Encontrar a si mesmo?

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Gore Verbinski fez um ótimo trabalho com o filme de terror O Chamado, mas essa nova empreitada está longe de poder ser considerada pertencente ao gênero. O diretor apela para as aflições mais profundas do ser humano como fobia por lugares fechados, medo de afogamento, compulsão por ter uma saúde perfeita, fobia com dentes (minha em particular), medo de envelhecer e por aí vai. Porém, nenhuma é tão eloquente quanto o desejo pelo bem estar, uma dica escondida lá no título original do filme. O que todas aquelas pessoas tem em comum, incluindo o personagem principal é o desejo por usufruir de uma vida plena, com todo o conforto possível e imaginável ao alcance das mãos ou num estalar de dedos. É pensando nesse futuro que Lockhart viaja tantos quilômetros atrás do empresário Roger Pembroke, disposto a arrastar o mesmo da paz de um retiro apenas para ver o começo de seu sonho torna-se realidade. Ele está mais do que disposto a colocar outra pessoa na berlinda e limpar sua ficha. Só que nada disso é tão claro assim, pois Verbinski decide misturar referências a clássicos no meio e apresentar ao espectador não apenas uma, mas sim cinco premissas diferentes em mais de duas horas de filme. Quase como se não tivesse conseguido decidir o que faria com o título e ao invés de editar e permanecer em uma linha única de narrativa, optou por considerar todas as opções válidas e não remover nenhuma.

A Cura é sem a menor dúvida uma aposta diferente e que mesmo possuindo uma direção de fotografia ímpar, uma locação deslumbrante, um trabalho de simetria que chega a emular a obsessão de Wes Anderson e cenas bem enquadradas, apresentando um ótimo trabalho de câmera, não consegue apagar os problemas com o roteiro aberto demais.

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