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Review: As provações da vida adulta em “Indignação”

Review: As provações da vida adulta em “Indignação”

gradebO autor Phillip Roth é considerado um dos mais importantes romancistas norte-americanos do século XX devido a sua facilidade em criar histórias intrigantes do ponto de vista de judeus. Roth comumente escrevia sobre problemas sociais, de adaptação em uma terra nova, com outros costumes, como também explorava a descoberta da sexualidade.

Em Indignação, o diretor James Schamus transportou os monólogos do autor direto para a tela do cinema. Com um tom bastante intimista e uma trama principal deixada em segundo plano, Schamus procurou desenvolver mais os personagens e suas angústias com uma montagem que mistura futuro, presente e passado. Começamos conhecendo o jovem Marcus Messner, vivido por Logan Lerman, e que deixa claro que aquilo é uma história antiga, pois ele está morto. Messner nos leva até o Açougue de seu pai e a partir daí o espectador passa a entender a personalidade do rapaz e como a transição para a faculdade foi importante em seu amadurecimento e lhe salvou de ser convocado para a guerra da Coréia.

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Mesmo estando longe, Marcus precisa lidar com os problemas de casa, pois seu pai tornou-se outra pessoa desde o estouro da guerra e o falecimento de alguns parentes e teme que o filho acabe perdendo o rumo que ele julga melhor ao adentrar a vida adulta.

Acontece que Messner é o típico filho que esconde quem é de seus pais e do mundo. Bastante educado, tranquilo e comedido, procura não contrariar aqueles que acham que o conhece e apenas quando interpelado pelo Reitor (Tracy Letts) da faculdade é que demonstra sua verdadeira natureza. Lerman consegue brilhar em sua atuação, principalmente nessa cena, porém, mantem-se mediano o resto do longa. Em um diálogo cheio de apontamentos importantes e julgamentos velados, tanto o Reitor quanto Marcus deixam claro seus pontos de vista e como um não vai conseguir fazer com que o outro mude de opinião. Mesmo tratando-se de uma figura de poder dentro do campus, Marcus continua firme em suas convicções e deixa claro que é contra o sistema religioso impositor do campus que obriga os alunos a irem a capela assistir as missas se quiserem se formar. Além disso, expõe ser um Ateu ao Reitor, mesmo tendo sido criado dentro do Judaísmo, algo que confunde o docente e só faz com que desconfie mais e mais do rapaz.

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Diante de tantas provações, encontra mais uma na jovem Olivia Hutton interpretada pela atriz Sarah Gadon. Olivia e Marcus tem apenas um encontro, mas é o suficiente para aguçar a curiosidade do rapaz em relação a moça, em especial após um pequeno acontecimento. Não demora para que os dois engatem numa relação confusa e cheia de confissões pessoais, mas que não vai além disso. Hutton tem problemas mais profundos do que aqueles enfrentados por Marcus e os dois juntos vão tentar desvendar como fazer a vida funcionar, mesmo que não saibam exatamente como.

Indignação foca em tensões interpessoais devido a falta ou o excesso de diálogo e em opressão sexual no início dos anos 50. A necessidade de pertencer a um grupo e comportar-se de um jeito específico quando na verdade você pertence a outro lugar o qual não descobriu ainda. O personagem de Lerman não pode ser quem acham que é e não permitem que seja quem é. O mesmo acontece com a personagem de Gadon e é isso que Schamus tenta transpor das páginas para a tela.

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