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Review: “Boyhood”

Review: “Boyhood”

Richard Linklater não apenas deu sorte como saiu vitorioso de sua empreitada. Com um orçamento pequeno, mas uma ideia grandiosa, Boyhood vem conquistando cada vez mais o público e especialmente a crítica especializada que viu na simplicidade do trabalho do diretor algo extraordinário.

A verdade é que para aqueles que estão ouvindo falar sobre o filme pela primeira vez, pode não parecer assim tão emocionante. Afinal, a sinopse não se vende bem sozinha, mencionar que levou doze anos para ser concluído tampouco e as pessoas que assistiram não sabem explicar sobre o que exatamente se trata o filme. Então, por que assisti-lo? Bem, em poucas palavras, se trata de acompanhar a evolução de uma família. E apenas isso deve bastar para interessar.

Durante doze anos, por algumas semanas em cada ano, Linklater filmou a vida de Mason que junto com sua mãe e irmã começava a enfrentar as dificuldades da vida. O primeiro obstáculo foi mudar de cidade e fazer novos amigos. Bastante introspectivo e atento, Mason a princípio fica um pouco arredio com a mudança, mas muda de opinião quando pai volta de viagem e passa a sair mais aos finais de semana com ele e sua irmã. Aos poucos, sua mãe retorna para a faculdade para reencontrar um rumo na vida, se casa de novo e cabe aos filhos encontrar cada qual o seu próprio caminho. Alguns obstáculos irão surgir e eles precisarão resolvê-los como família e assim nos é possível observar a personalidade deles sendo moldada, principalmente a de Mason.

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O segredo da magia de Boyhood se encontra na sutileza da evolução dos personagens e no envolvimentos dos mesmos com o projeto. Por doze anos eles não apenas interpretavam uma família, eles se tornaram de fato uma, e toda essa honestidade é incrivelmente verossímil. A começar pelas crianças e também, pelo fato de não possuir um roteiro fechado. Somando esses dois ponto foi possível construir uma narrativa fácil, objetiva mas que possui muito conteúdo a apresentar. O que também afetou de forma positiva as atuações de atores experientes como Ethan Hawke e Patricia Arquette. Poder presenciar a evolução dos dois como pais é um verdadeiro deleite. Não a toa Arquette está concorrendo ao Oscar e recentemente abocanhou um Globo de Ouro.

Linklater nos entrega uma excelente obra prima que pode não parecer muita coisa a princípio, mas que promete surpreender a todos.