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Review: “Bruxa de Blair” parece mais um reboot disfarçado

Review: “Bruxa de Blair” parece mais um reboot disfarçado

gradecPara as pessoas que estão acostumadas ao gênero do found footage talvez não façam ideia de que ele ficou popular, muito sutilmente, lá no ano de 1999, com um filme independente e que viria fazer muito sucesso: Bruxa de Blair.

Na época as pessoas realmente acreditaram que aqueles três jovens tinham desaparecido na floresta e o filme retratava algo verídico. Com o passar dos anos, descobrimos que um bom trabalho de marketing faz toda a diferença na hora de promover um título como foi o caso. Agora, com esse novo Bruxa de Blair, que está mais para um reboot disfarçado de continuação, não dá para saber se o marketing foi bom para levantar a curiosidade ou ruim por esse mesmo motivo.

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O filme começa com James descobrindo uma nova evidência de que talvez sua irmã Heather ainda esteja viva e perdida na floresta de Black Hills. A mesma Heather que sumiu por quatorze anos e parece continuar com a mesma aparência. É então que ele e mais três amigos decidem partir para a cidade de Burkittsville em Maryland, onde fica localizada a floresta. Lá eles encontram com Lane, morador local e responsável por achar a evidência que acabou levando-os até ali. Eles decidem acampar em Black Hills, para buscar a tal casa que deduzem ter sido o último lugar que Heather esteve, mesmo que não exista em nenhum mapa topográfico. Munidos de várias câmeras de gravação, baterias extras e até mesmo um drone, eles adentram a floresta com um item em falta: bom senso.

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A base da trama é bem frágil e tenta se sustentar em algo que foi explicado de forma pobre e relapsa. O fato de James querer um desfecho para o desaparecimento da irmã, mesmo quando ele era muito pequeno para se lembrar dela, não convence como deveria. E o documentário que justificaria toda essa gravação é logo esquecido e transformado em meras capturas de imagem de um grupo de campistas que não entende tão bem assim de acampar ou natureza. Sem mencionar a construção superficial dos personagens, porém, isso é possível relevar já que sabemos que não vão durar tanto tempo assim.

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Talvez o interessante nesse reboot, irei encara-lo assim, são as adições que tentam fazer com que seja diferente do original. Como por exemplo, dar as respostas de algumas questões que ficaram no ar, acrescentar uma possível origem para a bruxa e histórias que expliquem seus atos e o porquê dela estar ali naquela floresta e Estado. Todavia, a maior surpresa é ter uma bruxa, quando deveria ficar só subentendida. O que antes poderia ser encarado como um terror mais psicológico, o espectador acreditava que a bruxa existia pois os jovens assim acreditavam, aqui o diretor tenta nos colocar como outro membro daquele grupo e, talvez por isso, nos revela a face da maldade. Outros tempos, outro público.

Bruxa de Blair acaba sendo um filme ok, com recursos mal aproveitados e um desenvolvimento turbulento, mas que deve agradar aqueles que não tiveram a oportunidade de assistir ao longa lançado em 1999.

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