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Review: “Capitão América: Guerra Civil” é o filme mais maduro da Marvel até o momento

Review: “Capitão América: Guerra Civil” é o filme mais maduro da Marvel até o momento

Desde que se estabeleceu como estúdio no mercado cinematográfico, a Marvel vem galgando um caminho sólido e mantendo o nível em todos os filmes lançados até agora. Mesmo que o público prefira um mais do que o outro, o que é completamente natural, todos eles são coesos e possuem roteiros bem atrelados entre si, facilitando ainda mais a imersão do espectador nesse mundo.

A proposta do décimo terceiro filme do estúdio, Capitão América: Guerra Civil pode ser considerada mais madura do que tudo o que foi apresentado por eles. Afinal, difícil vender a ideia de que dois amigos de repente se veem em lados opostos numa luta.

Todavia, o roteiro escrito por Christopher Markus e Stephen McFeely é dotado de uma maestria singular se pararmos para pensar que a Guerra Civil nos quadrinhos é uma das maiores sagas do selo Marvel Comics. A dupla está a frente de todos os filmes do Capitão até o momento o que certamente facilita o trabalho na hora de criar os roteiros. Eles conseguiram enxugar a trama, pescar os principais momentos e torná-la objetiva sem fugir ao propósito do enredo.

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Diferente da HQ, óbvio, as consequências que levam o governo a interferir nas ações dos Vingadores deve-se a um estopim causado pela Wanda (Elizabeth Olsen) e ao somatório de todas as tragédias indiretamente causadas por eles até agora. Eles recebem a notícia do Secretário do Estado, ninguém menos que o General Ross (William Hurt), que não mais terão a liberdade de escolher as próprias missões. Tony Stark (Robert Downey Jr.) que está fisicamente cansado e com emocional balançado, pula na oportunidade e é seguido por Rhodes (Don Cheadle), Natasha (Scarlet Johansson) e o Visão (Paul Bettany). Já Rogers (Chris Evans) não vê a proposta da mesma forma e alerta os demais sobre potenciais problemas em receber ordens do governo. Não demora muito e as equipes se dividem.

Como conhecemos os personagens fica fácil entender o que levou cada um a optar por seguir ou não a proposta oferecida pelo governo. Contudo, são os sentimentos mais profundos que nos surpreende. Afinal, quem diria que Tony Stark debaixo de toda aquela faceta de playboy, milionário e filantropo esconderia a fragilidade de um garoto que perdeu os pais? Que o pacato Steve Rogers se voltaria contra o governo pelo qual lutou na 2ª Guerra Mundial para defender seu melhor amigo e continuar firme nas suas convicções?

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E é a exacerbação desses sentimentos que conduz as ações dos personagens no filme. É o desejo de vingança que leva tanto o vilão Zemo a orquestrar seu plano, como ao Príncipe T’Challa se unir a equipe do Homem de Ferro. Dois personagens novos e que foram inseridos à trama sabiamente.

Apesar de não ter tanto destaque em tela, é o plano de Zemo que faz as peças do jogo inteiro mexer, o que condiz com a natureza do personagem nos quadrinhos, pois ele não é dado a embates físicos e prefere manipular seus adversários intelectualmente. O mesmo faz o Zemo interpretado por Daniel Brühl, já que ele não teria condições para enfrentar todos os Vingadores no mano a mano. Quanto ao Príncipe T’Challa, o povo de Wakanda é bem passional e ele não saberia responder aos ocorridos de uma forma diferente. Ambos deixaram sua marca no universo Marvel.

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O outro personagem novo era há muito aguardado pelos fãs: Homem-Aranha. O aparecimento de Peter Parker causou alvoroço na sala de cinema e não decepcionou ninguém. Tom Holland vestiu com louvor o manto do cabeça de teia e fez jus ao papel que para muitos não estava sendo bem interpretado. Sua ligação com o Stark caiu como uma luva, culminando numa das melhores cenas de luta entre heróis vista nos últimos tempos. Tudo tão bem alinhado que foi difícil acreditar no que nossos olhos estavam vendo. Coreografias bem feitas e o uso do CGI de modo sensato e sem exageros. Uma das melhores cenas no filme dentre tantas outras espetaculares.

Capitão América: Guerra Civil encerra de forma redonda a participação de Steve Rogers nos Vingadores e deixa claro a integridade do personagem, que preferiu abdicar da legalidade de seu papel de herói para continuar leal aos seus princípios e, especialmente, aos amigos.

Ficha Técnica
Diretor: Anthony Russo, Joe Russo 
Roteiro: Christopher Markus, Stephen McFeely 
Elenco:  Chris Evans, Robert Downey Jr., Scarlett Johansson, Sebastian Stan, Anthony Mackie, Don Cheadle, Jeremy Renner, Chadwick Boseman, Paul Bettany, Elizabeth Olsen, Paul Rudd, Emily VanCamp, Tom Holland, Frank Grillo, William Hurt, Daniel Brühl
Duração: 2h27min