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Review: “Conspiração e Poder” falha em ser imparcial

Review: “Conspiração e Poder” falha em ser imparcial

gradecOs dramas jornalísticos ficaram em alta em 2015 graças ao sucesso de Spotlight – Segredos Revelados que acabou levando o Oscar de Melhor Filme para a surpresa de todos. Entretanto, o que diferencia o oscarizado filme desse dirigido por James Vanderbilt são falhas hipócritas que transformam a premissa do longa num ciclo vicioso.

Conspiração e Poder toma como base de roteiro o livro escrito pela ex-produtora Mary Mapes, após ter sido demitida da emissora CBS devido a um escândalo jornalístico envolvendo a figura do então candidato a presidência dos Estados Unidos, George W. Bush.

Mapes (Cate Blanchett) e sua equipe receberam das mãos de uma fonte cópias de documentos que afirmavam que Bush nunca havia feito parte da Frota Área Nacional Texana na décade de 70 como costumava dizer. Em cima disso, Mapes correu atrás de fontes que confirmasse a sua história que iria ao ar no programa 60 Minutos. A duras penas, conseguiu alguns depoimentos de pessoas que conheciam o candidato na época e que estavam dispostas a corroborar com a matéria. Porém, nenhum especialista conseguiu comprovar a autenticidade dos documentos e logo após o programa ter ido ao ar, choveram denúncias de fraude.

Tanto Mapes quanto Dan Rather (Robert Redford), âncora da emissora e apresentador do programa, afirmavam que a matéria e os documentos eram legítimos, mas a trama toda acaba caindo numa espiral incontrolável de dedos apontados e meias verdades.

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A grande falha de Vanderbilt foi ter se posicionado de forma unilateral ao narrar essa história que é baseada em fatos reais. O diretor e roteirista coloca a personagem de Mapes como grande heroína e todos que ficaram contra ela os vilões. Só que o próprio filme tem dificuldade em convencer o público de tal papel. Mapes vai contra os princípios básicos de jornalismo que é se assegurar de fontes seguras para embasar uma matéria. Ela ignora conselhos de especialistas e decide continuar em frente mesmo assim, colocando não apenas o dela na reta, como de todos aqueles que acreditam nela. Alguns dizem que a produtora foi inocente em acreditar na fonte primária que parecia ter a intenção de ajudar na campanha do candidato da oposição. Outros afirmam que Mapes sempre foi liberal e contra o candidato Bush, o qual era enaltecido constantemente pela emissora na qual trabalhava. No fim, o que aconteceu foi um atropelo de ideologias, com toque de poder e ego que acabou ofuscando o que realmente deveria ter sido feito: uma legítima cobertura jornalística.

Não apenas Mary Mapes, ganhadora de alguns prêmios errou, como também a emissora CBS. E com isso o assunto foi esquecido e ninguém se deu ao trabalho de verificar se o ex-presidente havia mentido ou não. Ficou por isso mesmo. Tal qual o filme de James Vanderbilt.

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