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Review: “Divertida Mente” consegue ser mais profundo do que aparenta

Review: “Divertida Mente” consegue ser mais profundo do que aparenta

As animações da Pixar vem evoluindo com o tempo. Os temas estão mais sérios, ainda que contenha uma boa dose de humor, mas deixaram de ser meros desenhos. São responsáveis por transmitir mensagens de forma simples, clara e direta para um público ávido em aprender: as crianças. Mas, não descarte os adultos também!

Em Divertida Mente a nova animação de Pete Docter, mais conhecido por seu brilhante trabalho em Monstros S.A, nos apresenta um outro mundo, o nosso eu interno, as emoções.

Ao nascer uma criança a primeira emoção que aparece é a Alegria, logo depois vem a fome e o choro e com eles a Tristeza, aos poucos o bebê vai crescendo e ganhando outras emoções como Nojinho, Medo e Raiva. Daí que se originam o nojo por legumes e a birra pela insistência dos pais para comê-los. Riley é a humana responsável por abrigar tais criaturinhas adoráveis que com muito esforço vão moldando a personalidade da menina ao longo dos anos. A responsabilidade é enorme e Alegria não vai deixar nada sair errado, ainda que seus outros amigos tentem controlar a situação vez ou outra. Mas, algo que ela não quer de verdade é que Riley fique triste ou chateada, o que só acontece quando Tristeza insiste em encostar nas memórias. As duas acabam em uma verdadeira confusão e são sugadas para fora da sala de controle (que fica dentro da cabeça de Riley) e terão que trabalhar juntas para voltar e consertar todos os problemas.

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Por mais que seja colorido e divertido, como o nome em português sugere Divertida Mente (Inside Out no original) é, talvez, a animação mais profunda do estúdio, pois nos faz pensar que nada é de fato absoluto, principalmente as nossas emoções.

Ao colocar Alegria no comando, possivelmente por ser a primeira a nascer, ela acha que Riley só evolui como ser humana com as melhores lembranças, aquelas mais felizes. Quando na verdade, ignora todo o contexto que faz com que a menina seja de fato feliz e como isso influencia diretamente na sua personalidade. Seu astral positivo a cega para qualquer outro tipo de conselho ou ajuda, especialmente se for da Tristeza, a quem vê com olhos enfadonhos e nem ao menos tenta entender. Com isso, todas as lembranças da menina possuem cores únicas, assim como eles: amarelo para Alegria, vermelho para Raiva e assim por diante. Somente quando se vê longe do controle e as personalidades começam a ruir que Alegria percebe que a menina precisa muito mais do que apenas uma única emoção sempre.

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Somos seres inconstantes, onde nossas emoções dialogam entre si para encontrar a melhor maneira de agir perante uma situação. O que fica bem ilustrado quando vemos as emoções da mãe e do pai tentarem entender o que está acontecendo com a filha. Clara demonstração de que é preciso maturidade para que possamos ter controle maior sobre nossas ações e nós mesmos. Logo, precisamos sentir tristeza, raiva, alegria, medo e nojo para sermos quem somos, e tudo bem chorar de vez em quando, é assim que vamos aprendendo, moral importante e significativa apresentada pela animação.

Divertida Mente é mais uma animação impecável da Pixar Studios e que com certeza entrará para o hall de sucessos. E acho que nem precisa comentar sobre o curta Lava que passa antes da animação começar. Delicado e marcante de uma forma ímpar.