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Review: “Doutor Estranho” traz inovação à fórmula da Marvel Studios

Review: “Doutor Estranho” traz inovação à fórmula da Marvel Studios

Com treze filmes lançados e o décimo quarto entrando em cartaz na próxima semana, há quem afirme que esse sucesso ou mesmo o modo de fazer filmes da Marvel Studios não vai durar muito tempo. Dizem que o público vai cansar e que logo mais o estúdio vai investir em outra coisa. Bem, certamente Doutor Estranho chegou para quebrar esse e mais alguns paradigmas.

A começar o personagem faz parte de um mundo místico que é pela primeira vez apresentado na MCU e que vai abrir as portas para a expansão desse universo, e possivelmente, a conexão com outros personagens tal qual os Guardiões da Galáxia e até mesmo a Capitã Marvel. Se formos falar do sentimento de herói, Doutor Estranho nunca quis ser um, diferente dos demais nomes que figuram nos filmes do estúdio. Tudo o que Stephen Strange queria era poder reabilitar os nervos das mãos para que voltasse a sua vida antiga de neurocirurgião.

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A jornada do personagem é construída de modo simples e eficaz, criando uma rápida ligação com o público, mesmo aqueles que não são fãs e nunca ouviram falar no seu nome. Nesse ponto não difere muito de outros filmes de origem do estúdio e Stephen possui até a mesma essência do playboy famoso e querido por todos, ou quase todos, Tony Stark. Com a diferença de que Strange sempre quis ser o melhor para satisfazer não apenas o seu ego, mas agradar ao mundo, enquanto Stark sempre preferiu olhar para o próprio umbigo. Quando sofre o acidente e se vê longe da vida perfeita que construiu, decide ir até as últimas consequências para tê-la de volta e é quando esse inacreditável mundo novo se abre na sua frente. Cumberbatch parece ter nascido para o papel e a decisão de adiar o lançamento do longa para que ele pudesse estrela-lo foi mais do que acertada.

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Conforme o filme vai se desenrolando, vemos que os demais personagens se revelam em camadas e moldam suas atitudes de acordo com os acontecimentos o que difere dos outros títulos onde os personagens são delineados com bastante clareza e raramente mudam de opinião ou lado sem que aquela ação estivesse implícita desde o princípio. Outra novidade é que não existe uma dedicação no desenvolvimento do vilão, vivido por Mads Mikkelsen, que é mal aproveitado servindo apenas ao propósito de ser um elo entre os acontecimento que envolvem ele próprio, Strange, Ancient One (Tilda Swinton) e Mordo (Chiwetel Ejiofor).

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Quanto aos efeitos especiais e a computação gráfica, parece que somos transportados para algumas páginas dos quadrinhos do Doutor lá no começo da década de 60. Toda aquela psicodelia e efeitos que parecem saídos de um caleidoscópio existem e foram imaginados pelo talentoso Steve Ditko. Scott Derrickson decidiu usar isso a seu favor, sem enlouquecer o espectador, criando dobras no tempo e espaço e mostrando assim o alcance dos poderes daqueles que conseguem abrir os olhos para esse mundo místico e aceita-lo. Deixando claro que não há limite para o que eles podem fazer, tornando-se por hora, os seres mais poderosos do MCU.

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Mesmo sendo um filme de origem, mesmo mostrando a desconstrução de um personagem até sua possível redenção, mesmo usando da fórmula de perseguir o vilão e derrota-lo antes que ele destrua o planeta, ainda assim, a maneira como tudo isso é feito, dando mais ou menos importância a algo antes considerado trivial somado a introdução de um universo novo e menção a multiversos, além de pontos extras que não vou citar para não dar spoilers, faz com que Doutor Estranho seja um filme da Marvel Studios, sem parecer muito com qualquer outro título lançado. E isso é com certeza um ponto a favor.

PS: Há duas importantes cenas pós-créditos, portanto, não saia da sessão até as luzes terem acendido.
Ficha Técnica
Diretor: Scott Derrickson 
Roteiro: John Spaihts, Scott Derrickson, C. Robert Cargill
Elenco: Benedict Cumberbatch, Tilda Swinton, Chiwetel Ejiofor, Rachel McAdams, Benedict Wong, Michael Stuhlbarg, Benjamin Bratt, Scott Adkins, Mads Mikkelsen
Duração: 1h55min