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Review: ‘Estrelas Além do Tempo’ e a luta através da superação intelectual

Review: ‘Estrelas Além do Tempo’ e a luta através da superação intelectual

gradeamaisDeixei claro em outras críticas que o gênero de filme que mais me atrai é o cinebiográfico, quando bem feito, óbvio. Por isso, descobrir sobre três mulheres que estavam a frente do seu tempo e ajudaram bastante na corrida espacial americana chamou minha atenção. Muito mais do que um longa sobre racismo Estrelas Além do Tempo fala de superação intelectual.

A história se passa na época da segregação nos Estados Unidos, onde negros e brancos tinham posições bem distintas na sociedade. Em relação a isso não há nenhuma novidade, pois existem diversos outros filmes que possuem o racismo como tema principal, contudo não é o caso aqui e pode ser que algumas pessoas se incomodem pela falta de militância das personagens, por assim dizer. O que talvez elas tenham dificuldade para enxergar é que a proposta de Estrelas Além do Tempo é de ser um filme de superação pessoal e que dá para abordar um assunto sem ser de forma direta. A premissa aqui é mostrar o que três mulheres afro-americanas fizeram para vencer as adversidades em campos de trabalho totalmente dominados por homens… brancos.

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Por mais que queira retirar o fator étnico da equação não seria possível, tendo em vista que a todo instante nos é apresentada essa diferença gritante entre os funcionários da NASA. Katherine Goble (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughan (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monaé) eram conhecidas como computadores humanos em Langley, assim como outras meninas como elas que habitavam um prédio dentro do complexo destinado aos funcionários afro-americanos. Só que as três possuíam habilidades específicas que contribuíram bastante para auxiliar os Estados Unidos na disputa espacial com a Rússia.

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O longa é dividido nas visões de cada uma das protagonistas sobre o papel que desempenharam nessa corrida espacial. Katherine foi ‘promovida’ para resolver questões de geometria analítica envolvendo equações que ajudariam a lançar alguns foguetes ao espaço e depois conseguir trazê-los de volta em segurança, para então num futuro não tão distante, terem a capacidade de fazer a mesma coisa com um astronauta a bordo. Mary foi designada a ser assistente do Engenheiro-Chefe que era responsável pela construção do foguete e encorajada pelo mesmo a se tornar uma Engenheira, pois era tão qualificada quanto qualquer um ali no departamento. E Dorothy, que estava cansada de ser deixada para trás e se humilhar para ter seu potencial reconhecido, viu na chegada dos novos computadores IBM a oportunidade perfeita para que ela e as outras meninas não fossem eventualmente substituídas pela máquina.

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Estrelas Além do Tempo é baseado no romance homônimo da escritora Margot Lee Shetterly e mostra a árdua caminhada dessas mulheres para serem finalmente vistas por sua capacidade intelectual e não mais definidas pela cor da sua pele. O filme aborda o racismo de uma forma menos incisiva do que o esperado, porém tão incômoda quanto. As expressões de asco, o ar de superioridade, o tom de deboche, as humilhações, a segregação do espaço, as dificuldades de locomoção, está tudo ali sem precisar que seja explicado em palavras, é nítido. Melhor ainda foi a maneira que elas encontraram de revidar essa diferença sem precisar descer do salto e se igualar aos seus opressores. Mostraram através de ações significativas o quão valiosas eram para o programa espacial e deram um fim a essa história de segregação, ao menos dentro de Langley. Todavia, suas contribuições ecoam e vão continuar a ecoar pelo mundo e servir de inspiração para muita gente.

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