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Review: “Inferno” se perde com ritmo acelerado

Review: “Inferno” se perde com ritmo acelerado

gradecO autor Dan Brown é o cara na hora de criar os enigmas mais elaborados. Seus livros são cheios de simbolismo, misturando fatos e mitos, além de aventura e muito mistério. Todavia, nada disso conseguiu ser bem transportado para o cinema e Inferno peca um bocado.

Para começar Inferno é um livro bastante denso, cheio de nuances e explicações minimamente detalhadas que combinam perfeitamente com a temática escolhida por Brown ao usar Dante Alighieri como base de sua trama. A Divina Comédia é um poema dividido em três partes, sendo que a primeira chama-se Inferno ou como muitos conhecem Inferno de Dante. E Dan Brown usa e abusa de vários elementos desse poema ao longo do livro e que acabaram se perdendo no decorrer do filme. Não apenas isso, mas o ritmo deveras acelerado atropela o desenrolar dos enigmas, tal qual a construção dos novos personagens e até mesmo a razão de tanta correria.

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Esse problema fica evidente desde o início quando Langon (Tom Hanks) acorda na cama de um hospital em Florença sem saber como foi parar ali. Quando uma policial aparece querendo interroga-lo e começa a atirar é dada a largada para a meia maratona de Robert Langdon. Ele foge dali com a ajuda da médica Sienna (Felicity Jones), indo se refugiar no apartamento dela. Eles pegam a primeira pista e fogem para outro lugar. A questão é, não precisavam desse alarde todo, mesmo sendo perseguidos, eles buscam desvendar as pistas como se um relógio invisível pairasse sob suas cabeças, mas em momento algum sabem que há um prazo para finalizarem o enigma. Deixando de lado toda a graça da história, e dos livros do Dan Brown, que é passar por esses monumentos, pinturas, prédios antigos e descobrir segredos neles. Histórias antigas que quase ninguém sabe e fala a respeito.

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Esqueça. Inferno deixa esses enigmas em segundo plano e procura focar muito mais no personagem do Langon, com toda a questão das alucinações e catástrofes embebidas em muita computação gráfica, do que se ater ao original. A relação repentina dele com Sienna, vivida por Felicity Jones, não é bem desenvolvida e a atriz não consegue esconder que carrega um segredo desde o instante que coloca os olhos no Professor. Fica no ar essa desconfiança dos dois e que acaba passando para o espectador também. Um problema gerado pelo ritmo acelerado, de novo, não dando tempo para que houvesse algum laço entre o público e os personagens.

Há uma série de buracos de roteiro e que foram pessimamente tapados a fim de manter esse nível constante de tensão no filme, mas que incomoda já que não é possível piscar um único segundo com medo de perder algo, dada a quantidade de informação que é arremessada ao público. Informações que tem que ser assimiladas com rapidez ou perde-se boa parte da diversão.

Não havia necessidade, porém Inferno correu tanto que está arriscado passar despercebido pelo público, o que é uma pena, pois o livro é muito bem escrito e elaborado. Não se pode ter boas adaptações sempre.

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