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Review: ‘John Wick – Um Novo Dia Para Matar’ traz um herói enigmático

Review: ‘John Wick – Um Novo Dia Para Matar’ traz um herói enigmático

gradeaQuando De Volta ao Jogo (John Wick no original) estreou lá em 2014 ninguém poderia imaginar o sucesso que o longa faria com o público e como tiraria a carreira do veterano Keanu Reeves do ostracismo. Agora com a sequência direta que finalmente leva o nome do personagem no título, os espectadores esperam muito mais do filme e não vão se decepcionar.

Um Novo Dia Para Matar começa exatamente de onde parou o outro filme com John tentando recuperar seu carro que ainda está em posse dos russos. Querendo ter sua tão esperada aposentadoria, John propõe uma trégua depois de derrubar mais da metade do contingente dos mafiosos e leva um carro aos pedaços para casa. Ele só não esperava que sua paz duraria muito pouco quando Santino D’Agostino (Riccardo Scamarcio)  aparece na sua porta cobrando uma promissória antiga. John recusa e pede que o deixe em paz, porém Santino está irredutível em seu pedido e força John a aceitar a missão que vai acarretar em consequências terríveis para todos que fazem parte do clã.

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Conhecemos o personagem, o que o move, suas habilidades e determinação em permanecer quieto na santidade do seu lar. Todavia, nada sabemos sobre seu passado ou mesmo como foi que chegou até ali e a fama que conquistou ao longo de tantos anos de serviço e é isso que nos é mostrado nessa sequência. O roteiro se empenha em desenhar o caminho que os assassinos fazem ao entrar nesse seleto grupo que co-habita pacificamente as ruas da grande Nova York e do mundo até receberem uma missão, aí a situação muda de figura. Só que até isso acontecer, existe uma clara divisão entre a honra profissional e a vida pessoal e todos estão mais do que satisfeitos em viver de acordo com o código. O que acaba transformando o filme por completo, tirando-o do rótulo de apenas mais um título qualquer de ação e o impulsionando para se tornar algo a mais, pois raras vezes temos a oportunidade de olhar através do espelho e entender melhor como funciona o crime organizado. Aqui o roteirista Derek Kolstad se empenha em não somente criar cenas de ação eletrizantes, mas também conduzir o espectador por esse mundo um tanto surreal onde os membros da Alta Cúpula controlam as cidades e sabem exatamente o que acontece aonde e quando e quem estava envolvido. Um controle o qual pouco sabíamos quando conhecemos o personagem principal e só agora temos a real dimensão desse universo e suas regras.

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John Wick – Um Novo Dia Para Matar catapulta Keanu Reeves como herói de ação – ou anti-herói, como preferir – assim como Liam Neeson quando fez a trilogia de Busca Implacável. Keanu atua na maioria das cenas de ação e constrói um personagem enigmático que mesmo dado a poucas palavras consegue cativar o espectador. Há também uma dedicação maior para com esse título que ganhou um tratamento de fotografia mais intenso, com cenas requintadas devido ao jogo de iluminação e cores usadas em cada uma, criando assim uma atmosfera mais imersiva tanto nas cenas de ação como nos cenários. A trilha sonora é outro ponto alto do filme que consegue se mesclar bem com cada momento desde o mais mundano até o mais agitado. E ainda que a participação de Lawrence Fishburne seja pequena, os fãs da trilogia Matrix vão ficar extasiados ao verem Morfeu e Neo reunidos em tela novamente.

E ainda não é o fim de John Wick, pois devido ao enorme gancho ao qual o filme termina, teremos um terceiro filme vindo por aí em algum momento.

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