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Review: “Jovens, Loucos e Mais Rebeldes” dialoga com a geração oitentista

Review: “Jovens, Loucos e Mais Rebeldes” dialoga com a geração oitentista

gradebRichard Linklater é um exímio contador de histórias. Sabe como ninguém escrever para um público específico e qual a necessidade desse público. É o tipo de cineasta que gosta de esmiuçar pensamentos para que tornem-se experiências reais em seus filmes como no caso da pseudo sequência Jovens, Loucos e Mais Rebeldes.

Levando a máxima a frase: “faculdade é uma época para experimentar” calouros e veteranos de uma equipe universitária de baseball vão aproveitar loucamente o último final de semana antes do início das aulas. Com isso encontram a chance de tentarem descobrir quem são ao ingressar nesse começo de vida adulta, sem qualquer supervisão. São muitas opiniões, conselhos, porém, nenhum deles sabe realmente qual o próximo passo.

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Linklater faz uma viagem musical com o espectador para apresentar os diferentes personagens e como, talvez, eles vão ser no futuro. A câmera começa seguindo Jake Bradford (Blake Jenner) que cai de cabeça nessa oportunidade de construir uma carreira, mas que também pensa em ser algo a mais. Bem diferente de seus colegas de equipe que não visam ter uma vida acadêmica, mas sim ter destaque no baseball e, principalmente, conseguir que um olheiro os veja jogar e garanta um contrato com uma equipe de renome. Enquanto a temporada não começa, eles passeiam pelo campus indo da liberdade da música Disco, passando pelo calor da música Country, para a intensidade do Punky Rock, até se acalmarem com a festa da turma de teatro. A cada festa eles vão mostrando mais e mais quem são e que a vida se resume quase que a mulheres e competir. Seja no campo de baseball ou até numa mesa de ping-pong.

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É uma visão de homem para homem e não poderia ser diferente. Entretanto, ao colocar Jake para dialogar com Beverly (Zoey Deutch), o diretor expande um pouco a trama e fica evidente aquele sentimento de matilha, coletivismo que assola tanto homens e mulheres quando reunidos em um grupo. A mesma coisa acontece em fraternidades e repúblicas femininas onde o ‘eu’ é anulado e o indivíduo tenta se adequar ao pensamento e modo de agir do grupo. Faça qualquer coisa que seja contrária e vai ser rechaçado por todos. Nesse caso, vai ser zoado até não conseguir aguentar mais ou entrar na brincadeira e passar o pato para o candidato seguinte. Somente quando separados ou em números menores, podemos conhecer de fato os rapazes e descobrir que nem todos são tão superficiais quanto aparentam.

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Os cenários foram elaborados com muito empenho, garantindo mais credibilidade ao filme, como por exemplo a fachada da boate Sound Machine e o seu interior, com a pista central, dando espaço para os personagens e criando diversos pontos de interação entre eles e demais figurantes. Figurinos também foram bem escolhidos e mostram uma certa transição e mistura entre a moda dos anos 70 com a dos anos 80, com jeans mais despojado e camisa social de gola engomada.

Jovens, Loucos e Mais Rebeldes é uma pseudo continuação de Jovens, Loucos e Rebeldes de 1993 e que também é do diretor Richard Linklater. Dessa vez ele quis dar uma abordagem nova a ideia de auto-conhecimento na juventude e se transportou para a década de 80.

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