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Review: “Jurassic World – O Mundo dos Dinossauros” está mais para um revival

Review: “Jurassic World – O Mundo dos Dinossauros” está mais para um revival

Quase 22 anos atrás, em 25 de Junho de 1993 estreava nos cinemas do Brasil o filme com dinossauros que viria a se tornar um clássico: Jurassic Park. Desde então, virou uma trilogia com dois filmes que mesmo tentando muito, não conseguiram superar o original.

Jurassic World – O Mundo dos Dinossauros não é um reboot ou remake, e sim um revival do clássico da década de 90, e ainda que supere as outras continuações, acaba ficando pelo meio do caminho.

Vinte anos se passaram desde que John Hammond (Richard Attenborough) trouxe Alan Grant (Sam Neill), Ian Malcolm (Jeff Goldblum), Ellie Satler (Laura Dern) e seus netos para apresentar-lhes seu grandioso projeto e a parte de Hammond, nenhum outro personagem é mencionado nesse filme. O parque agora é real e foi transformado em um luxuoso resort com atrações incríveis, dignas de deixar Walt Disney com inveja. Os visitantes podem ver o T-Rex ser alimentado, caminhar ao lado dos grandes herbívoros em cápsulas seguras, as crianças podem andar em mini Triceratops e alimentar pequenos Braquiossauros, até tomar um banho ao ver o show do Mosassauro. Entretanto, nada disso parece suficiente, pois as visitas e o interesse está caindo cada vez mais e eles precisam atrair novos olhares. Logo, decidem criar uma nova espécie de dinossauro, mas, que diferente dos Velociraptors que foram treinados por Owen Grady (Chris Pratt), esse espécime não quer ser domado por ninguém, quer mais é dominar a todos.

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Com visível problema de roteiro, Jurassic World se perde na própria aventura e deixa inúmeras referências soltas e sem quaisquer respostas. Por exemplo: se eles estão na Ilha Nublar, a mesma na qual Hammond deu início ao projeto, que fim levaram os outros dinossauros que estavam lá e procriaram? Aparentemente novos dinossauros foram criados, a priore da mesma forma de antes (não fica bem explicado) e apenas o Indominus Rex foi geneticamente desenvolvido. Dessa vez utilizaram mais CGI do que os Animatronics e felizmente, as diferenças são poucas e quase imperceptíveis.

Embora a premissa seja previsível, carrega o fato interessante de apresentar a visão concluída do parque, caso seu criador tivesse obtido sucesso. Todavia, o conceito aqui é mais megalomaníaco e acaba pecando pelo excesso. O que antes era um sonho, torna-se basicamente um comércio turístico com planilhas de porcentagem, níveis de satisfação de clientes, novos acionistas, índices de vendas e aí por diante. Nesse ponto, o roteiro faz algumas críticas em relação à indústria, seus patrocinadores e a perda da identidade visual de uma marca, que seriam os dinossauros em prol de quem está dando mais dinheiro. Tal qual o clássico há a discussão dos dinossauros serem animais e não produtos, o que desencadeia grande parte dos problemas no longa.

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Do elenco antigo somente o ator que vive o Dr. Henry (BD Wong) decidiu voltar e como dito antes, John Hammond é mencionado, tendo até um Centro de Convenções com seu nome. Tais escolhas acabaram pesando de modo negativo, pois todos os novos rostos não fizeram jus a proposta do filme ou ao que era esperado, com exceção de Chris Pratt que exala carisma e empresta ao personagem um pouco da sua própria personalidade. Ficou parecendo que eles quiseram reproduzir parte do passado, como por exemplo Bryce Dallas Howard que talvez viria a ser uma versão moderna da Dra. Ellie e mesmo tentando bastante, não convence.

Ainda falando do elenco, o elo mais fraco, diria até decepcionante, são as crianças. Se antes tínhamos o Tim que era corajoso, Lexie que era esperta com computadores, Sarah que sabia se defender e Erik que sobreviveu sozinho por bastante tempo na ilha, esses dois não entram no páreo. São o fiel retrato da geração atual que vive conectada a tela de algo, sejam computadores ou celulares e não sabem como agir se não tiverem nenhum dos dois para auxiliar. Zach vivido por Nick Robinson é o típico adolescente apático que não se importa com nada e vê a tarefa de cuidar do irmão mais novo como verdadeiro martírio. Enquanto isso, Gray (Ty Simpkins) apesar de todo conhecimento, prefere choramingar e se esconder atrás do irmão. Em suma, não funcionam em tela.

Uma atmosfera saudosista permeia por todo o filme, incluindo a trilha sonora de John Williams que se tornou icônica, contudo, a clara falta de uma ligação mais direta com o Jurassic Park, principalmente no quesito elenco, acaba deixando essa sequência com algumas falhas. Nem todo o carisma de Chris Pratt consegue salvar o longa de ser apenas uma boa diversão, quando poderia ter sido muito mais.