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Review: “Livre”

Review: “Livre”

Todo mundo, em algum momento da vida, vai ter que passar pela desoladora experiência de perder alguém. Seja um parente ou um amigo próximo. E a forma como cada um escolhe enfrentar essa perda é completamente diferente. Uns se fecham em casa, sem qualquer comunicação com o mundo exterior, outros, conseguem seguir com a vida como se nada tivesse acontecido. Mas, como reagir quando é você que se perde de si mesmo? Quando sua vida entra num turbilhão de problemas e acasos que te levam cada vez mais para baixo?

Foi o que aconteceu com Cheryl Strayed e ela tomou provavelmente a decisão mais radical de todas: abrir mão de todos os bens materiais e ir fazer uma caminhada de mais de mil quilômetros pela Pacific Crest Trail que vai da Califórnia ao Canadá. O que pode parecer normal para quem está acostumado a tais aventuras, para Cheryl era uma enorme novidade já que ela nunca tinha feito tal coisa antes. Ainda assim, não esmoreceu diante as dificuldades, que não foram poucas e, ao longo do caminho isolada apenas com a presença da natureza, fez diversas reflexões sobre sua vida que envolvia a morte prematura da sua mãe, um casamento fracassado e seu problema com drogas.

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A primeira vista Livre pode parecer apenas mais um road movie bem no estilo de Na Natureza Selvagem. Inegável que existam várias semelhanças entre as duas películas, no entanto, a jornada de ambos os personagens que foram inspirados em pessoas reais, é completamente diferente uma da outra.

Reese Witherspoon consegue deixar de lado um pouco do seu jeito naturalmente frágil e encarna essa mulher que possui muita força de vontade e perseverança para realizar algo que de início parece simplesmente impossível. Porém, ela é movida por motivos maiores e a cada acampamento que monta e nas milhas caminhadas, vai se recordando de acontecimentos que foram a razão de parar até ali. Em uma espécie de transe constante, seja pelo cansaço ou apenas por se projetar em outro lugar, consegue aos poucos se liberar de questões do passado e entender que existe algo muito mais forte e poderoso regendo sua vida.

O roteiro foi escrito por Nick Hornby que está acostumado a fazer esse tipo de trabalho já que ele próprio adapta seus livros para as telonas como Um Grande Garoto, Amor em Jogo e mais recentemente Uma Longa Queda. Com isso o roteiro está impecável e mesmo nos momentos de solidão de Cheryl há um diálogo interno ou uma reflexão que nos faz conectar com a personagem naquele exato ponto aonde ela está.

Livre está concorrendo ao Oscar com Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante para Laura Dern que por mais que tenha feito um bom trabalho não convence tanto como mãe da Reese apesar de todos os recursos utilizados em cena para que elas não chegassem a contracenar tanto juntas e evidenciar mais essa falha. Felizmente, não é nada que atrapalhe o filme como um todo.