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Review: “Martyrs” não deveria ter ganhado remake

Review: “Martyrs” não deveria ter ganhado remake

gradefO gênero terror não tem tido muito sucesso ultimamente. Os poucos filmes que saem e fazem jus como A Morte do Demônio e Invocação do Mal, logo são enterrados por desastres como Jessabelle e A Forca, por exemplo. Fica parecendo que as ideias originais chegaram ao fim e resta ao gênero viver de clássicos como O Exorcista, A Profecia, Sexta-Feira 13 e A Hora do Pesadelo. Porque alguns remakes como do filme francês de 2008 Martyrs, nem deveria ter saído do papel.

As amigas Anna (Bailey Noble) e Lucie (Troian Bellisario) se conhecem quando crianças na instituição de freiras que as abriga. Lucie escapou de um cativeiro e sofre com pesadelos terríveis os quais apenas Anna consegue acalma-la. As duas se tornam adultas e acabam se distanciando, mas uma ligação de Lucie para Anna as coloca em perigo mortal.

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Martyrs possui uma premissa interessante de vingança que é pouco explorada em filmes do gênero, especialmente com mulheres no papel principal. Infelizmente, a ideia é rapidamente limada quando a edição e montagem do longa começa a prejudicar o seu desenvolvimento. O espectador não sabe se os surtos de Lucie são reais, ilusões da garota ou auto-flagelo consciente e é isso o que o move a continuar assistindo. Entretanto, a trama desce a ladeira de vez quando num péssimo plot twist revela-se um submundo de torturadores com propósitos escusos e causa dos problemas de Lucie. A partir daí deveríamos ver cenas com bastante sangue, tal qual o original francês, mas essa versão se apresenta de forma mais contida.

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Os diretores Kevin e Michael Goetz pecaram em diversos quesitos o que acabou por jogar a trama inteira na lata do lixo. Não há uma evolução dos personagens, que é atrapalhada pela edição, que por sua vez sofre com uma montagem confusa e que por fim não é o terror que promete. E tudo isso tem base na maneira como escolheram narrar a trama, com pulos muito grandes de tempo, sem explicações plausíveis ou qualquer explicação que faça sentido para o espectador, na verdade. E pensar que os primeiros 10 minutos do longa pareciam tão promissores.

O homônimo francês continua beirando o cinema trash, porém consegue se apresentar bem melhor do que a versão americana que preferiu ficar numa zona segura do que arriscar como deveria ser.

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