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Review: “No Andar de Baixo” é subjetivo demais

Review: “No Andar de Baixo” é subjetivo demais

gradedNão há mal nenhum em um filme preservar seus mistérios e revela-los na hora certa. Mas, aí que mora o problemas em alguns títulos, saber quando e como fazer isso. E é onde reside os erros de No Andar de Baixo.

Dirigido por David Farr o longa narra a história de dois casais de vizinhos que estão grávidos, cada esposa com semanas de diferença na gestação. Enquanto um sofreu anos para engravidar, querendo muito, o outro é o oposto, tendo preferido esperar anos e ter a certeza de que queriam mesmo ter uma criança. Dilema de muitos casais atualmente, especialmente aqueles com empregos estáveis e que exigem certa dedicação. O que se aplica perfeitamente ao casal do andar de cima, ambos com empregos que amam e que assim preferiram curtir mais a vida a dois. Já o casal de baixo, ele bem mais velho, com uma carreira estabelecida e condição financeira estável queria filhos para ontem, e ela, sem uma perspectiva saudável de carreira pulou nessa oportunidade.

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No Andar de Baixo tem todo um trabalho de roteiro para enumerar sutilmente as diferenças gritantes entre os casais desde o início quando eles se cruzam sem saber e que fica mais evidente a cada encontro. Todavia, toda essa interação é subjetiva. Não há diálogos extensos, com marcações interessantes sobre os personagens e isso piora após o incidente que acaba rompendo a relação entre os vizinhos.

Tudo passa a ser interpretado através de olhares, gestos, meias palavras, frases soltas pelo ar e que seguem até o terceiro ato do filme quando tudo acontece de uma só vez. O espectador gosta de sentir que é parte do filme, que sabe de algo que os protagonistas não sabem, de esperar por um desfecho imaginando como vai ser a reação dos personagens. Optar por deixar o espectador no escuro é um recurso difícil de controlar e que pode dar muito errado, como nesse caso.

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David Farr preferiu montar sua história quase que unicamente com imagens, poucos diálogos e que acabam por cansar o espectador que fica imaginando o que mais pode acontecer ou se é que algo vai acontecer. Descreditar a personagem da Clémence Poésy que lutou contra a figura da mãe o filme inteiro, afirmando não a querer por perto e que isso influenciou na sua decisão de ter filho foi um tiro no pé. Ainda que as circunstâncias possam tê-la fragilizado, ela pediu ajuda, na verdade, implorou para que se mudassem e o marido simplesmente achou que ela estava vendo coisas, muito cansada para ter noção do que era real ou não. E, a partir daí, No Andar de Baixo perde sua pouca credibilidade e torna-se uma tentativa barata de emular outros diretores famosos como Roman Polanski, mas ficou na tentativa mesmo. 

Continua valendo mais a pena assistir ao clássico A Mão Que Balança o Berço, que mesmo sendo um título datado, tem mais suspense do que esse filme que se perde dentro do próprio conceito com tanta subjetividade.

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