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Review: O apelo não convencional de “O Plano de Maggie”

Review: O apelo não convencional de “O Plano de Maggie”

gradebAlguns séculos atrás a mulher tinha uma única função em sociedade: a de procriar. Uma mulher que não quisesse ou não pudesse ter filhos era julgada pelos outros e ostracizada pela sociedade. De uns tempos para cá, felizmente, a situação mudou e agora a mulher tem mais liberdade de escolha, ainda que com algumas ressalvas. Uma delas é a de ser mãe solteira. Outra categoria, se posso chamar assim, que também é julgada pela sociedade.

No filme O Plano de Maggie que estreia essa semana no Brasil, a personagem principal tem seus planos muito bem delineados. Ela não quer um namorado, marido ou parceiro, ela quer simplesmente ter um filho. Se sente pronta para ser mãe e decide colocar o plano em prática indo atrás de um antigo colega de colégio que possui bons genes e que topou doar seu esperma. Como era de se esperar, o plano não é visto com bons olhos por outras pessoas, como seu amigo Tony que acha que a amiga não vai ter condições de cuidar sozinha de uma criança. Enquanto coloca em ação os preparativos para a inseminação, Maggie acaba tornando-se amiga de um colega de trabalho, John Harding. John encontra em Maggie uma válvula de escape para seus problemas conjugais e não demora para que os dois desenvolvam uma afinidade maior. Assim, o plano da Maggie acaba expandindo e John deixa a esposa e os dois filhos para ficar com ela.

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Só que o casamento não era o que ela tinha em mente e continua sentindo que está faltando algo. E é quando o filme demonstra numa narrativa simples e direta a máxima de: o que vale para todo mundo pode não valer para a gente.

O sonho de Maggie sempre foi o de ser mãe. Ela queria recriar os anos que passou ao lado da sua mãe e como as duas foram felizes juntas. Não queria se encaixar na sociedade, não queria um casamento ou um relacionamento, ela principalmente não queria um marido. Porém, isso foi imposto a ela que não soube recusar, porque ela não sabia se não era exatamente aquilo que não queria. Nunca tinha ficado com ninguém por mais de seis meses, como saber se era apta ou não a manter um relacionamento? Como saber se estava pronta para um que não testando? E olha, ela se esforça para fazer dar certo.

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Greta Gerwig expõe uma suavidade na personagem que ajuda o espectador a entender esses apontamentos sem fazer julgamentos prévios, esperando primeiro entender os pontos de vista para depois, quem sabe, estabelecer uma opinião própria. Chega quase a ser uma comédia romântica ao contrário e por isso o longa torna-se tão cativante. Ao passo que seria mais simples para Maggie estar em busca de um amor para satisfazer sua necessidade maternal, o filme tem um apelo não convencional de que ela sabia bem o que queria, mas por sofrer tanta pressão externa ficou com medo de assumir sua vontade para o mundo e ser julgada por ele. Como foi antes mesmo de ser mãe. Muito mais aceitável aceitar uma mulher que teve um caso e engravidou de um homem casado do que alguém que optou em fazer inseminação artificial, ter e criar um filho por conta própria. As idiossincrasias da sociedade contemporânea.

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O Plano de Maggie dirigido por Rebecca Miller e que tem no elenco nomes como Ethan Hawke e Julianne Moore, mostra justamente como é lidar com essas escolhas que nos são impostas pela sociedade e que aceitamos por puro medo, quando no fundo sabemos o que é o melhor para nós.

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