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Review: “O Contador” mostra outro lado de Ben Affleck como ator

Review: “O Contador” mostra outro lado de Ben Affleck como ator

gradecmaisBen Affleck tem uma série de filmes em seu currículo dos mais variados gêneros. Como ator já fez comédia, drama, cinebiografia, thriller e filmes de ação. Mas, nenhum como o seu papel em O Contador que chegou aos cinemas em 20 de Outubro.

O longa dirigido por Gavin O’Connor funciona de forma sistemática, revelando pedaços de uma quebra-cabeça que envolvem o personagem de Affleck que sofre de uma espécie de Autismo altamente funcional. O pai militar se recusa a colocar o filho numa instituição especializada e decide ir contra todos os conselhos médicos, criando sua própria terapia intensiva e ensinando aos dois filhos táticas de guerra e sobrevivência. Dessa forma, pelo menos, os meninos estão prontos para enfrentar o que for, principalmente o personagem de Affleck. Deixando de lado a controversa situação relacionada ao Autismo, O’Connor consegue construir um filme com narrativa intrigante e que foge um pouco dos padrões, ainda que o ritmo seja lento.

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A proposta de O Contador é tentar desconstruir o personagem principal que se encaixa no típico clichê de ‘lobo solitário’. Não tem amigos, procura ser minimamente educado com todos e faz o seu trabalho de modo a passar despercebido e viver sua vida em paz. Só que Wolff procura um pouco mais de ação por ter a necessidade de sempre saciar sua mente com desafios, por isso acaba aceitando trabalhar para diversos tipos de clientes, desde os comuns, como um casal de idosos, até figuras importantes ao redor do mundo e que estão no radar do FBI. O que acaba levantando uma interrogação enorme sobre sua pessoa, porém, contrariando o que o público esperava, não são os agentes que decidem caça-lo e sim, um dos seus clientes. Comprovando assim a tentativa de inovar o gênero ao apresentar saídas diferentes para uma história bem conhecida. Todavia, nem tudo é resolvido com facilidade e o filme tropeça bastante no ritmo lento e por vezes arrastado que é usado para elaborar o desenvolvimento dos personagens e suas conexões.

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O longa só funciona graças a atuação de Ben Affleck, que saiu da sua zona de conforto, com papéis nos quais podia gesticular bastante e abusar das expressões. Aqui ele se limita a um olhar taciturno, falas e movimentos comedidos, quiçá calculados previamente e procura focar nas cenas de ação e luta. Anna Kendrick não convence em seu papel e serve apenas de ponte encerrando um ato para dar início a outro e contribuir na evolução do personagem de Affleck. Há ainda outros nomes de peso no elenco, porém, a montagem ora picotada dificulta para que esses nomes tenham a chance de realizar algo substancial em tela.

Infelizmente, o filme não deve agradar a todos que certamente foram assistir esperando algo diferente. Não. Foram esperando algo ao qual já estão acostumados e O Contador não é assim.

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