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Review: O excelente “Ex Machina: Instinto Artificial” passou despercebido do público

Review: O excelente “Ex Machina: Instinto Artificial” passou despercebido do público

Se vocês acham que estreiam muitos filmes toda semana, mal sabem a quantidade de títulos que passam longe das salas de cinema. Alguns realmente não fariam juz a telona, mas outros se perdem indo direto para dvd. Esse é o caso do filme indie britânico Ex Machina: Instinto Artificial que concorre a alguns prêmios.

O longa que foi escrito e dirigido por Alex Garland possui elenco de primeira e atuações primorosas, em especial da novata Alicia Vikander que chegou a concorrer pelo Globo de Ouro por sua atuação e já abocanhou outros prêmios. O mesmo pode ser dito de Alex Garland que concorre ao Oscar.

Ex Machina: Instinto Artificial parece um tanto simplista de início, mesmo com cenário suntuoso. Caleb é contratado pela empresa Blue Books e precisa testar o novo produto desenvolvido por seu criador, Nathan. Acontece que o produto em questão está longe de ser novo celular ou qualquer outro aparelho. Nathan decide dar um passo além no processo evolutivo e desenvolve uma AI, ou seja, Inteligência Artificial e resta ao Caleb determinar se Ava consegue se passar por humana ou se precisa de melhorias.

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Permeado por um clima tenso e inebriante, rapidamente o longa passa por mudanças e nos vemos em meio a um thriller no qual fica difícil apontar dedos ou presumir os próximos passos dos personagens. Nathan é o típico cara super inteligente e introspectivo que acredita que ninguém mais no mundo consegue compreender sua linha de raciocínio e por isso decide se isolar. Caleb faz as vezes de contraponto e mesmo sendo inteligente, mas não tanto quanto seu chefe, sabe que existe uma linha tênue entre avanços científicos e brincar de Deus. O que parece ter fugido do controle de Nathan. Mas, não darei spoilers.

Ava é um caso a parte. A interpretação dúbia da atriz nos deixa com vários pontos de interrogação na cabeça e sua interação com Nathan e Caleb complica ainda mais para que consigamos entender o que está acontecendo. E é justamente aí que mora o grande trunfo do filme, pois nenhum personagem é introduzido de forma clara. Não tem como prever o comportamento deles, o que é comum de deduzir na maioria dos filmes. E são essas pequenas surpresas que ajudam o longa a se tornar o que é.

Ex Machina: Instinto Artificial entra na lista de filmes despretensiosos, que surpreendem e que possuem uma mensagem forte a passar. De forma engenhosa, aborda como o ser humano lida com máquinas no dia a dia e como somos muitas vezes reféns delas. O filme conta ainda com final inesperado.