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Review: “O Homem Que Viu o Infinito” poderia ser melhor

Review: “O Homem Que Viu o Infinito” poderia ser melhor

gradedmaisCinebiografias são sempre interessantes, mesmo quando não tão bem feitas. Ao menos desperta a curiosidade do espectador que vai procurar descobrir se a história é só aquilo mesmo ou se tem algo a mais. Todavia, alguns títulos não se ajudam, como é o caso de O Homem Que Viu o Infinito.

A começar matemática não é uma matéria fácil ou interessante para aqueles que não demonstram aptidão para a mesma. Todo mundo sabe que a lógica na época da escola é se você é bom em português, não é bom em matemática ou vice e versa. O que se deve ao fato de dividir bem o raciocínio para exatas e humanas. Porém, deixando isso de lado, fica faltando explicação para uma série de eventos que conduzem as ações do personagem principal. Ramanujan (Dev Patel) tem paixão por números e vive para ter seu trabalho reconhecido. Que trabalho é esse? Não sabemos e continuamos sem saber durante um bom tempo. Acontece que o longa se passa em 1920, começo do século XX, e há muitos assuntos que são abordados de forma leviana, ao invés de focar em elementos essenciais.

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Seguimos Ramanujan já adulto, casado, tentando se encontrar em Madras (que hoje em dia mudou de nome) mas ninguém lhe dá atenção, afinal, ele não possui formação acadêmica, quem lhe daria emprego? Felizmente, encontra ajuda em um escritório de contabilidade onde o chefe possui ótimas conexões em Londres e envia uma carta para G.H. Hardy (Jeremy Irons) e é aqui que as coisas passam a complicar para o espectador comum, pois o filme parece ter sido feito especialmente para os teóricos e fãs de matemática. Em momento nenhum temos a explicação dos personagens, Hardy, interpretado por Jeremy Irons é um matemático inglês mais conhecido por seu trabalho com teoria dos números e análise matemática. É ele quem decide levar Ramanujan até a Universidade de Cambridge contrariando demais colegas, já que Ramanujan além de não possuir formação acadêmica, era indiano. Quem iria garantir que todo seu trabalho era verdadeiro? É então que o pobre Ramanujan, que não conseguiu se adaptar aos costumes ingleses, entra numa espiral turbulenta a fim de provar seu potencial e a veracidade de suas equações e teoremas a custo da própria saúde.

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Se O Homem Que Viu o Infinito fosse apenas um filme de ficção, estaria pecando por apresentar uma história confusa, sem amarrar as pontas soltas. Porém, como se trata de uma cinebiografia, os erros se tornam mais graves, tendo em vista que estamos lidando com eventos reais.

Em nenhum momento o espectador recebe uma explicação acerca da natureza real do trabalho de Ramanujan, só o acompanhamos rabiscando números e mais números nas suas preciosas folhas de papel. Também sabemos pouco ou nada de todos os importantes nomes relacionados à matemática e que faziam parte do conselho da universidade. E se o foco do longa era a relação entre Hardy e Ramanujan, como dá a entender no começo, é o suficiente para deixar o espectador com pena do personagem principal que luta até se esgotar para ser reconhecido como um igual dentre os teóricos. E olha que realizou contribuições substanciais para o mundo da matemática e hoje suas equações são utilizadas para explicar a existência de buracos negros. Todavia, o preconceito e o ego inflado de todos, incluindo do próprio Hardy, dificultou um bocado o caminho de Ramanujan.

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O Homem Que Viu o Infinito poderia ser uma excelente cinebiografia sobre um gênio matemático indiano que contrariando sua família, cultura e conhecidos triunfou num campo estritamente fechado e designado apenas aos mais aptos. Entretanto, não é o que acontece, e ficamos com um filme insosso, com uma montagem confusa e cheio de furos de roteiro. Nem Jeremy Irons e Dev Patel conseguiram salvar o longa.

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