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Review: “O Lar das Crianças Peculiares” cumpre bem o papel de livre adaptação

Review: “O Lar das Crianças Peculiares” cumpre bem o papel de livre adaptação

gradecmaisQuem conhece o trabalho do diretor Tim Burton vai conseguir enxergar com clareza o que o atraiu no universo criado por Ransom Riggs em sua trilogia literária. Todavia, o diretor resolveu fazer seu próprio filme, como era esperado, e se distanciou bastante do livro o qual originou a trama.

A resenha do livro já foi publicada aqui e o filme segue parcialmente a trama ao acompanhar o jovem Jacob (Asa Butterfield) e sua luta para lidar com o falecimento brusco do avô (Terence Stamp), a quem era muito apegado. Para colocar um ponto final nessa angústia, decide ir até a ilha de Cairnholm, local de origem de todas as histórias que seu avô costumava lhe contar quando criança para saber se aquelas pessoas de quem tanto ouviu falar e que possuíam poderes eram reais, especialmente a tão famosa Srta. Peregrine (Eva Green). E não tarda para que elas o encontram, e a partir daí, o filme segue uma linha narrativa totalmente diferente do livro.

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Burton optou por transformar personagens e a história para que ganhasse uma fluidez melhor, o que não ocorre no livro, além do mais, mudou o tom antes sombrio para um mais descontraído, ainda que possua momentos tensos. Ele também soube tirar o foco do personagem do Jacob e dividiu-o, quase que igualmente, entre os demais dando-os tempo suficiente de tela para que cativassem o espectador. Dessa forma foi possível trabalhar bem cada um deles, aumentando até mesmo suas habilidades ou invertendo-as como no caso das personagens Emma (Ella Purnell) e Olive (Lauren McCrostie). Apesar de conseguir manipular o ar com bastante facilidade, o mesmo não ocorre no livro, até porque é a Emma quem controla o fogo e é Olive quem usa os sapatos de chumbo. O motivo pelo qual o diretor decidiu inverter as personagens, é um mistério.

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Outra mudança positiva foi o acréscimo de cenas de ação, o que resultou no encolhimento do grupo de vilões, mas tal escolha faz sentido já que não é do feitio de Burton que seus filmes tenham sequências. Logo, com um grupo mais conciso de antagonistas, ficou fácil conduzir a trama para que tivesse um começo, meio e fim sem pontas soltas.

No quesito atuações não há grandes destaques, todos saíram-se bem em seus papéis, Asa parecia meio fora do contexto algumas vezes e Samuel L. Jackson deu seu melhor, como sempre. Eva Green estava um tanto quanto caricata e não sei de quem exatamente foi essa escolha, provável que do próprio Tim Burton. E o que dizer de Judi Dench que mal respirou em cena e sumiu rapidamente? Poderiam ter escolhido outra atriz para o papel ao invés de desperdiça-la.

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O Lar das Crianças Peculiares pode ter tido origem em um famoso e popular livro, mas ganhou vida própria nas mãos do tão ou mais popular quanto Tim Burton.

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