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Review: “O Sono da Morte” se perde no meio do caminho

Review: “O Sono da Morte” se perde no meio do caminho

gradecUltimamente temos um filme de terror, thriller e/ou suspense estreando a cada semana. A profusão de lançamentos não quer dizer que todos sejam boas produções, mas, é possível que algum deles consiga se salvar. Essa semana temos o Before I Wake que chegou por aqui com o título O Sono da Morte distribuído pela Playarte Films.

O longa conta com nomes como Kate Bosworth, Thomas Janes e o fofíssimo Jacob Tremblay. Só o fato do Jacob estar no filme faz aguçar a nossa curiosidade, pois ele é um excelente ator mirim e, por outro lado, filme de terror com crianças são sempre mais assustadores. Todavia, os acontecimentos do filme acabam se atropelando e o ritmo é prejudicado.

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Tremblay é Cody, um garoto orfão que passa de casa em casa desde que perdeu a mãe aos três anos. Seus próximos pais adotivos são Jessie e Mark, um casal que ainda está aprendendo a lidar com a morte do único filho. A adoção parece ser uma excelente oportunidade para superarem o passado até que coisas estranhas começam a acontecer toda vez que Cody adormece. No início eram belas ilusões, que se transformam rapidamente em criaturas aterrorizantes. O casal não sabe como lidar com a situação e entram em conflito. A cada noite as coisas vão agravando e os sonhos viram pesadelos.

A premissa de O Sono da Morte é deveras interessante, tendo como vilão a representação física de um monstro que habita os pesadelos de uma criança. Um ser esguio, com longos membros posteriores e pele enrugada que te prende num casulo. Se apenas isso fosse apresentado, seria mais do que suficiente, pois algumas coisas são como são e se explicarmos demais, perdem o sentido. Entretanto, o diretor Mike Flanagan, que também co-escreveu o roteiro, se perde ao adentrar demais no mundo criado pelo personagem de Tremblay, e é aí que o longa começa a tropeçar.

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Flanagan se prende muito as noites, usando a escuridão como aliada, mas a melhor cena acontece durante o dia na escola e, é aí que vemos o quanto o conceito inicial da trama está sendo desperdiçado. Com isso fica claro que o diretor se agarrou ao que era seguro e não quis arriscar. Por que repetir tanto o ritual da “hora de dormir”? Da primeira vez já tinha dado para entender que eram os sonhos do menino a causar tudo e a repetição apenas serviu para cansar o espectador. Por que a insistência na apresentação das borboletas se elas eram o trunfo do longa? É quase entregar o final e explicação de tudo.

O grande problema de O Sono da Morte é não saber bem em que posição está e o que fazer para entregar ao menos um bom filme de terror. Hora vemos a angústia de uma mãe para se recuperar da morte do filho, hora vemos uma criança que não se encaixa em lugar nenhum, hora vemos um pai que precisa ajudar a esposa a seguir em frente, mas não consegue e hora vemos um filme que não consegue conectar nada disso muito bem e, no fim, tudo não passa de mágica. E vocês sabem, um mágico não revela seus truques.

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