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Review: “Projeto Almanaque” entretem mesmo com temática repetida

Review: “Projeto Almanaque” entretem mesmo com temática repetida

Quem não gosta de filmes com viagens no tempo? Aparentemente é um tema que nunca vai sair de moda nos roteiros de Hollywood. A diferença entre eles está em como a trama é construída e as opções são muitas. Podem ir desde viagens no tempo para épocas antigas, viajar para um futuro longíquo, no entanto, são poucos os filmes como Projeto Almanaque que decide permanecer exatamente aonde está, fazendo viagens curtas, pequenos pulos no tempo que acarretam em grandes problemas.

David (Jonny Weston) é um aluno brilhante que com a ajuda de seus amigos e irmã está gravando um vídeo para apresentar seus projeto a fim de concorrer a uma bolsa de estudos no MIT. Entretanto, a resposta que recebe semanas depois não é exatamente a que ele esperava, levando sua mãe a vender a casa e arrecadar o dinheiro que faltava para ele ir a faculdade. Inconformado com a situação decide procurar por algo deixado por seu pai no porão que o leve a construir outro projeto. Acaba encontrando a antiga filmadora com a gravação da sua festa de 7 anos e se surpreende não apenas com a filmagem, mas com o que ele vê nela, o seu eu atual passando no espelho. Reúne seus amigos para mostrar a filmagem e eles ficam tão chocados quanto. Agora a curiosidade fala mais alto e eles precisam entender como tudo aconteceu. É então que encontram uma espécie de compartimento secreto deixado para trás pelo pai de David e decidem aprimorar a máquina com a certeza de que fizeram aquilo no futuro. A diversão vai se tornar confusão em muito pouco tempo e, todas as viagens irão cobrar pedaços que eles não terão como consertar.

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A técnica utilizada para apresentar o filme é a mesma de A Bruxa de Blair e Cloverfield, por exemplo. Vemos o decorrer da trama através das lentes de câmeras amadoras e filmagens feitas por eles mesmos. Logo, é mais do que normal tremer, sair de foco ou ficar em ângulos tortos. Ainda assim, a premissa do longa consegue atrair a atenção do espectador que fica curioso para saber o que irá acontecer. Se o filme terá alguma reviravolta ou se cairá nos básicos clichês daqueles pertencentes ao gênero. Bem, nem um nem outro.

Projeto Almanaque vai um pouco além ao mostrar a construção da máquina do tempo a qual eles sabiam que haviam construído, mas, não como. Os garotos estão acostumados a tais projetos e fica fácil e crível aceitar que eles saibam o que estão fazendo, mesmo com tantos erros sucessivos. Aos poucos a trama vai se desenrolando e novos elementos se unem ao plot que se desenha para um lugar que desconhecemos e aí mora o trunfo do longa. A princípio eles decidem voltar horas e ver se funciona, depois dias, depois se vingar de valentões na escola, passar numa prova oral e por diante os eventos vão crescendo e tomando proporções cada vez maiores, tal qual as consequências.

Todavia, eles são adolescentes e vão se comportar como tais, sendo impulsivos e não pesando os resultados finais, criando assim lapsos de memória e falhas na linha do tempo que não podem ser apagadas, pois a cada viagem, algo novo acontece, principalmente quando um deles decide viajar sozinho. E por mais que a reviravolta seja um tanto comum, não é possível prever o que virá a seguir.

As questões abordadas por filmes com viagens no tempo são sempre interessantes, nos fazendo pensar como agiríamos na mesma situação. Há essa necessidade em querer conhecer o passado ou controlar o futuro, como se o presente não fosse suficiente e no final, acaba sendo a exata resposta, não pular nada, aproveitar o que tem e aceitar o que vier.