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Review: “Rogue One: Uma História Star Wars” acerta com teor bélico

Review: “Rogue One: Uma História Star Wars” acerta com teor bélico

Que Star Wars possui inúmeros fãs fervorosos ao redor do mundo, todos sabem. A franquia estagnou por um tempo até ser adquirida pela Walt Disney Company e ganhar uma nova roupagem, por assim dizer, nas mãos de talentosos diretores dessa geração e um desses chama-se Gareth Edwards. O britânico sempre foi fissurado no universo criado por George Lucas e fez por onde para conseguir colocar as mãos nesse novo projeto que chega aos cinemas em todo o mundo.

Para aqueles que afirmaram que o Episódio VII era na verdade um remake de Star Wars: Uma Nova Esperança, devem ter respirado aliviados ao confirmar que Rogue One: Uma História Star Wars é um filme solo com começo, meio e fim e que passa entre os eventos dos Episódios III e IV, portanto, não vai ter Rogue Two, porque a sequência para a trama já existe desde 1977.

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No longa vemos o desenrolar das ações em volta do projeto que idealizou a construção da famosa Estrela da Morte e como isso foi mantido em segredo pelo Império por tanto tempo. Ao tomar conhecimento do que o inimigo pretendia, a Aliança decide recorrer a criminosa Jyn Erso (Felicity Jones) para que confirmasse a informação indo procurar a fonte do projeto: seu pai (Mads Mikkelsen). Contudo, para Jyn não vai ser tão simples abraçar a causa de imediato, porém, conforme a investigação desenrola e novos aliados vão aparecendo, percebe que tem muita coisa errada com o mundo que não é como deveria ser e que isso precisa mudar e rápido. Infelizmente, ganhar a confiança dos membros da Aliança e convencê-los das reais intenções de seu pai, não vai ser uma tarefa fácil. Por sorte, Jyn encontra aliados ao longo do caminho que acreditam nela e no que está propondo. E se a missão por si só era complicada, precisa somar o maior obstáculo de todos: Comandante Krennic (Ben Mendelsohn) que fará de tudo para ver o projeto da Estrela da Morte concluído e operante.

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Rogue One é tudo o que esperava um fã e até não-fã de assistir no cinema. Tem história bem construída, cenários suntuosos, efeitos especiais de qualidade, uma fotografia primorosa, cenas de ação dignas e personagens que tramitam entre um lado e outro como qualquer ser humano, tornando-se um dos pontos altos do filme.

Nos demais títulos da franquia há uma linha clara entre aqueles que são os mocinhos e os vilões. Os membros do Império almejam a dominação da galáxia enquanto os membros da Aliança procuram instaurar algo mais similar a uma democracia. Bem simples e direto. Contudo, dentro da visão de Gareth Edwards e os roteiristas, nesse filme,  não existem personagens inteiramente uma coisa ou outra, ainda mais do lado da Aliança. Isso fica nítido através do Cassian Andor, interpretado por Diego Luna, que recebe uma missão complicada de seu superior e parece mais preocupado com os fins do que com os meios, seguindo a risca as ordens, sem contestá-las ou mesmo avaliar se são cabíveis ou não no cenário em que se encontra. O mesmo ocorre com os soldados imperiais que estão ali de prontidão a serviço do Imperador e acatam toda e qualquer ordem sem nem pestanejar. Logo, qual seria a grande diferença entre os dois lados se ambos estão fazendo o que acham necessário para atingir seus objetivos? Nenhuma, certo? E isso é inserido de uma maneira tão sutil e eficaz nos fazendo entender como a Aliança Rebelde começaria a tomar uma forma mais concreta, como vemos nos demais filmes, somente após a chegada de Jyn e seus companheiros e a missão de roubar o projeto da Estrela da Morte.

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Personagens importantes e que foram apenas mencionados anteriormente, mas que aqui ganham a devida importância e ajudam a construir o cenário que viria a ser o confronto definitivo entre Aliança Rebelde e Império Galático no futuro. Tudo isso é feito sem o uso da Força, pois não há Jedis envolvidos, porém, acreditando que ela está ali ao redor deles auxiliando-os. O personagem do Donnie Yen se torna o responsável por espalhar a ‘crença’ na Força ao entoar o mantra “I’m with the Force and the Force is with me”, quase como um monge budista, exalando paz e serenidade, só que no fundo mostra ser um exímio lutador. O ator famoso por seus filmes de luta, desenvolveu uma arte marcial específica para esse filme e suas cenas de luta são espetaculares.

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O que leva ao outro ponto forte de Rogue One: Uma História Star Wars: as cenas de ação e guerra.

Geralmente temos os Jedis lutando entre si em batalhas tensas, cheias de diálogos que auxiliam no caminhar da trama. Aqueles tiros a esmo dos Stormtroopers perseguindo os Jedis ou eliminando ameaças. No mais, não há nada direcionado para uma batalha envolvendo mais do que duas pessoas, sabres de luz e blasters. Não existe confronto direto entre os membros da Aliança e do Império e essa foi a hora que Gareth Edwards decidiu fazer diferente, causando alvoroço na sala de cinema. Finalmente, um filme quase bélico de Star Wars que soube dosar drama, ação e política e criar o equilíbrio perfeito na Força.