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Review: “Spotlight – Segredos Revelados”

Review: “Spotlight – Segredos Revelados”

Filmes que são baseados em fatos reais, em sua maioria, tendem a exagerar na dramaticidade ou misturar pontos de vistas, quando não, decidem criar alguns para o bem comercial da película. Podemos tirar como exemplo o recente caso de Evereste que manipulou situações e criou outras que de acordo com os sobreviventes, não aconteceram.

Felizmente, ainda existem diretores e roteiristas a fim de desenvolver uma história exatamente como ela ocorreu, que é o caso de Spotlight – Segredos Revelados.

O filme se passa no ano de 2001 e gira em torno de uma das últimas equipes de investigação formadas dentro de um jornal como o The Boston Globe. Essa equipe tem a exclusiva função de buscar e averiguar fontes de matérias grandes que o jornal esteja preparando. Com a entrada do novo Editor, ele sugere que o jornal faça algo para chamar a atenção dos leitores e assim evitar mais cortes de orçamento e equipe. [Vale lembrar que a época foi conturbada para muitos jornais e revistas que perdiam leitores para a internet.] Assim começa a investigação sobre um Padre que teria abusado de crianças em várias paróquias e o caso foi abafado pela Arquidiocese e autoridades locais. Rapidamente um caso que parecia simples toma proporções absurdas e a equipe Spotlight se vê afundada em histórias de abuso que foram encobertas por mais de trinta anos. Agora a situação mudou de figura e não é atrás de uma única pessoa que eles devem ir, mas do sistema corrupto do qual a Igreja Católica Romana de Massachusetts se esconde.

spotlight

A beleza do longa reside na sua narração. Mesmo com um elenco de peso, o que brilha aqui é a história e nada além dela. Atores como Mark Ruffalo, Stanley Tucci, Michael Keaton e Rachel McAdams servem apenas para dar voz ao assunto que dominou a América logo após o 11 de Setembro e faturou um Pulitzer. Ainda que o filme tenha ritmo lento, por vezes até didático, é necessário para que entendamos todos os percalços pelos quais a equipe precisou passar para montar a matéria. Outro ponto interessante é a nítida separação entre o fator religião da instituição que é a Igreja Católica Romana e dos atos hediondos cometidos pelos Padres. Em nenhum momento, durante os mais de 120 minutos de filme, ouvimos alguém pregar a palavra de Deus ou colocar a culpa na religião por tais atos. Deixar essa separação clara, faz com que o longa ganhe muitos pontos, não apenas por se manter fiel aquilo que foi descrito na matéria, mas principalmente para o entendimento do espectador comum que tende a misturar tais tópicos quando relacionados. Especialmente porquê abordar a religião em um filme acaba sempre sendo bem delicado.

Todavia, Spotlight – Segredos Revelados consegue não apenas divulgar de forma magistral o caso, como também comprovar que dá sim para fazer bons filmes dando mais foco no enredo do que nas atuações, o que não tem ocorrido em produções mais recentes. Não a toa, tornou-se uma das estreia de 2015 mais aclamadas pela crítica especializada, que pode nem sempre acertar, mas dessa vez, preciso concordar com eles. 

O longa também concorre ao Globo de Ouro deste ano com três indicações.