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Review: “Star Trek: Sem Fronteiras” explora a finitude humana

Review: “Star Trek: Sem Fronteiras” explora a finitude humana

gradeamaisOuse ir aonde nenhum homem, mulher ou criatura jamais foi, é o lema pelo qual vive a tripulação da Enterprise liderada pelo Capitão James T. Kirk (Chris Pine). Mas, e quando toda essa jornada perde um pouco do sentido e a galáxia parece cada vez menor?

Star Trek: Sem Fronteiras vai um pouco além do típico filme de ação e aventura sci-fi que era de se esperar, e procura investigar mais a psique dos personagens que tripulam a nave. A começar com o próprio Capitão Kirk que prestes a fazer aniversário não vê mais propósito em continuar liderando os membros da Enterprise. Tudo começou como um desafio e ele conseguiu superar expectativas e passou a viver a imagem do pai, a quem sempre se inspirou. Agora, o estaria ultrapassando em tempo de vida, o que faz Kirk colocar sua carreira em perspectiva.

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Sua outra metade, o Spock (Zachary Quinto), se vê obrigado a contemplar a finitude da vida vulcânica com o anúncio do falecimento do embaixador Spock, uma bela homenagem ao estimado Leonard Nimoy. É então que coloca na balança seu trabalho na nave, o que inclui seu relacionamento com a Tenente Uhura, ou dar segmento aos projetos do embaixador e, com isso, não deixar que sua raça seja esquecida.

Em meio a tantas decisões difíceis acabam caindo num planeta desconhecido, ficando incomunicáveis, graças ao efeito de uma nebulosa, e precisam enfrentar a ira de Krall (Idris Elba) que os atraiu até lá e pretende exterminar todos os membros da Federação e os que lá vivem. Só que há muito mais por trás dos planos desse novo inimigo do que os membros da Enterprise sequer imaginam e vão precisar se unir se quiserem sair de lá vivos e salvar Yorktown.

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Star Trek: Sem Fronteiras que é dirigido por Justin Lin e conta com roteiro de Simon Pegg e Doug Jung, consegue brilhantemente se nivelar com os outros dois filmes lançados e chega até a ultrapassar um pouco Star Trek: Além da Escuridão. O roteiro é muito bem escrito e procura trabalhar todos os personagens centrais de forma equilibrada, assim é possível saber o impacto que a trama tem em todos eles e não focar apenas nas suas funções como parte da tripulação. Para que isso funcionasse eles foram divididos em duplas o que facilitou tanto o desenvolvimento dos personagens conhecidos, como também na apresentação de novos, tal qual Jaylah e o antagonista Krall. Um recurso essencial que contribuiu também para que o espectador pudesse imergir mais rápido na trama, já que com isso, o filme flui de modo orgânico alternando bem entre cenas de tensão e outras mais tranquilas ou mesmo de comédia. Quesito creditado em maior parte ao personagem Scotty do próprio Simon Pegg. Sua interação com Jaylah, vivida pela atriz Sofia Boutella, são excelentes. Um outro ponto interessante do filme é a mecânica de funcionamento das missões, tanto passadas e presentes, e o quanto elas mudaram ao longo dos anos, transformando a vida de todos que faziam parte da Federação, mesmo antes de se tornar uma.

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Mesmo com as deslizadas típicas, como fazer barulho no espaço, os efeitos especiais foram bem trabalhados e a elaboração dos cenários, das naves e de Yorktown ficaram incríveis. A base da Federação lembra um pouco o conceito de mundo dos sonhos de Inception e assistir em 3D IMAX faz toda a diferença. A trilha sonora casa com o longa de forma orgânica e a cena em que toca “Sabotage” dos Beastie Boys, uma das melhores.

Caso esse seja o fim da nova franquia, Star Trek: Sem Fronteiras encerra com chave de ouro o revival de um clássico para os fãs de sci-fi e comprova que não existe fronteira final para algo que é e será para sempre eterno. Vida longa e próspera!

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