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Review: “Sully: O Herói do Rio Hudson” abusa de recursos narrativos

Review: “Sully: O Herói do Rio Hudson” abusa de recursos narrativos

gradedmaisCinebiografia é um gênero da sétima arte que curto bastante. Nos dá a chance de conhecermos mais sobre algumas pessoas e, ainda que a história seja romantizada, abre espaço para que o interesse continue após o término do filme. Contudo, não é o que acontece em Sully: O Herói do Rio Hudson.

O caso ocorreu em Janeiro de 2009 nos Estados Unridos e imediatamente o Comandante Sully (Tom Hanks) foi considerado um herói por ter feito uma manobra arriscada e conseguido salvar a vida de todos que estavam à bordo do voo 1549 da US Airways. Infelizmente, o Conselho Nacional de Segurança de Transportes discordava da opinião pública e decidiu abrir uma investigação para averiguar melhor o que de fato ocorreu durante os 208 segundos que durou o voo e se havia outra opção que não fosse pousar a aeronave no meio do Rio Hudson com 155 passageiros a bordo.

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A narrativa do longa deveria ser simples, porque a história é assim. Não existem reviravoltas, nem mistérios, nem perseguições ou criminosos. É um feito extraordinário, especialmente depois do fatídico 11 de Setembro, porém, a alternância na linha do tempo incomoda e torna-se um recurso frágil devido ao tamanho da repetição de fatos. Mais de uma vez vemos a dificuldade que o Comandante Sully tem em dormir e como seus pesadelos são sempre os mesmos, o medo de colidir o avião em algum dos inúmeros prédios de Nova York. Mais de uma vez o vemos ser evasivo com a esposa ao telefone e não falar com coerência. Mais de uma vez o vemos discutir o evento com seu co-piloto (Aaron Eckhart) e correr a esmo pelas ruas frias da cidade na madrugada. E, repetidamente, entre essas cenas, vemos o Comandante Sully erguer o avião do solo, colidir com pássaros que estouram os motores, pedir socorro pelo rádio e notar que não haveria tempo de voltar ao aeroporto para um pouso forçado. Teria que ser ali mesmo no meio do Rio Hudson. Uma repetição que pareceu servir muito mais para convencer o próprio espectador do que ter uma ligação direta com a trama.

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É então que faltando pouco mais de vinte minutos para o filme terminar que tudo passa a fazer algum sentido. Não é um filme sobre um piloto de avião com 42 anos de experiência nas costas que salva 155 passageiros da morte iminente, mas sim, como esses acidentes são tratados pelas companhias responsáveis e o quanto os envolvidos sofrem, sendo colocados como culpados ao destruir milhões de dólares em propriedade.

Não tiro o mérito de Sully: O Herói do Rio Hudson, entretanto, não chega a ser uma história tão substancial a ponto de precisar tornar-se um filme. Talvez por isso exista essa fragilidade na narrativa que vai e volta constantemente tentando amarrar as pontas soltas e fazer algum sentido.

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