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Review: “Vingadores: A Era de Ultron”

Review: “Vingadores: A Era de Ultron”

Quando o Kevin Feige anunciou a ideia, ainda que fosse só uma ideia, de produzir filmes que se conectassem em um único universo, todos acharam loucura. Afinal, não seriam quaisquer filmes e sim, com os heróis que conquistaram fãs ao longo dos anos e trabalhando juntos, tal qual nas páginas dos quadrinhos. Muitos riram da ideia, alguns zombaram e outros, descreditaram Feige completamente. Bem provável que hoje, todos esses ou a grande maioria, tenha queimado a própria língua.

Kevin Feige não apenas conseguiu dar forma a sua ideia, tendo certeza que estava se cercando das pessoas certas como Joss Whedon, por exemplo, como também conseguiu vendê-la de um jeito que ficou quase impossível duvidar de seus projetos. O que falar que vai fazer, pode confiar que dará certo. Os Vingadores lançado em 2012 teve um sucesso estrondoso, deixando o público ansioso por mais.

E, três anos depois, chega aos cinemas Vingadores: A Era de Ultron, que não dá para ser chamado de continuação, mas, falarei disso mais para frente.

A equipe dos Vingadores está em perfeita sintonia. Cada qual sabe bem o seu papel e como executá-lo com maestria e toda essa harmonia acaba rendendo momentos divertidos entre eles. O alvo da vez é o Centro de Pesquisa da HIDRA onde o Barão Von Strucker permanece escondido e fazendo experimentos com o Cetro deixado por Loki na Terra, que eles pretendem recuperar e levar de volta para Asgaard. Porém, o Barão teve tempo de realizar alguns experimentos, incluindo aperfeiçoar dois seres humanos e dar-lhes poderes. E os Vingadores, não fazem a menor ideia do que eles são capazes.

A batida no local é bem sucedida, Von Strucker é preso, o cetro é recuperado e eles planejam dar uma festa. No entanto, Tony possui outros planos para o cetro antes que saia de suas mãos e pede ajuda a Bruce para desenvolverem um projeto no qual vinha trabalhando, sobre inteligência artificial. Banner é contra esconder a pesquisa dos demais, mas Tony convence-o de que eles não tem tempo de debater a ética sobre o assunto e decidem começar logo. Os dias vão passando e o projeto se mostra um fracasso. Tony decide deixar de lado e ir se unir aos demais na festa, descontrair um pouco.

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Quando apenas os Vingadores, Hill e Rhodes permanecem e entram num debate sobre quem consegue levantar o martelo do Thor e ser digno de empunhá-lo e governar Asgaard, surge um convidado estranho, parecendo as sentinelas do Tony que não obedecem ao seu comando e nem Jarvis parece poder respondê-lo. O estranho, que logo é identificado como Ultron faz um discurso inflamado contra o grupo de heróis e parte para o ataque. Todos entram na luta, mas Ultron consegue fugir, prometendo a extinção deles. Stark é questionado pelos demais, principalmente Thor e o Steve, mas decidem se unir para a batalha maior que vem pela frente. Ainda que continuem meio estremecidos entre si.

Este filme não pode ser encarado como uma sequência direta do primeiro, pois possui elementos indispensáveis que nos foram apresentados em outros filmes da cronologia como Guardiões da Galáxia Capitão América 2: O Soldado Invernal, por exemplo. Apenas os elementos de Os Vingadores, não daria nem para a possível meia hora do longa.

As cenas da sequência de abertura serviram para mostrar que eles continuam funcionando como equipe e que aprenderam a lidar com as habilidades de cada um, lutando individualmente ou mesmo em duplas. É uma sequência de ação espetacular e bem coreografada que culmina na aparição dos gêmeos e no cetro do Loki. Aliás, os gêmeos foram uma adição e tanto para este longa, sendo responsáveis por todos os ganchos do roteiro para conduzir a trama, mesmo que tenham menos tempo em tela que os demais. O mesmo pode ser dito sobre a explicação para a origem dos poderes deles, que ficou bem aceitável, já que não é possível citá-los como mutantes.

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O cetro do Loki acaba se revelando, como alguns suspeitavam, a quarta gema do infinito que tem o poder de controlar a mente. O vemos (Loki) usando-a no Clint anteriormente e também no Dr. Selvig. No entanto, ela apenas não havia sido destacada e nem nomeada. Agora, falta pouco para que todas apareçam. Lembrando que as gemas do infinito que apareceram até então são o Tessaract (Gema do Espaço), o Éter (Gema do Tempo, ainda que não tenha sido nomeada propriamente), o Orb (Gema do Poder) e o cetro do Loki (Gema da Mente), restando a Gema da Alma e a do Tempo darem o ar da graça.

O já conhecido elenco funcionou bem, como era de se esperar e os ditos personagens de apoio como Viúva Negra e Gavião Arqueiro (esse com direito a surpresa) ganharam mais destaque no longa como um todo, enaltecendo a necessidade de tê-los na equipe, ainda que até eles se sintam deslocados vez ou outra. Whedon aumentou, e bastante, o teor de comédia no roteiro e risadas não irão faltar. No entanto, não se preocupe, pois estão intrinsecamente inseridas na trama e não destoam ou tiram o foco em momento algum. Na verdade, até aliviam os momentos sombrios que vem logo em seguida e que apenas existem graças a atuação espetacular e aterrorizante de James Spader. Seu Ultron é deveras ameaçador e a dublagem, que utilizou poucos recursos para mecanizar a voz do ator, é essencial para transmitir essa sensação ao público.

Entretanto, por mais que Vingadores: A Era de Ultron seja um filme extremamente bem feito, prazeroso de assistir e divertido, deixou em aberto o elemento chave que supostamente deveria ligá-lo ao filme Capitão América 3: Guerra Civil. O embate intelectual entre Steve e Tony foi insuficiente, mesmo que a cena extra, que vem logo após a conclusão do filme, tenha compensado um pouco. Mesmo assim, a tal briga de egos que todos esperavam, não existiu. E é o único ponto fraco.

O longa é repleto de referências e de participações ilustres, mas vai precisar conferir no cinema para saber de tudo.

Ficha Técnica
Diretor: 
Roteiro: Joss Whedon
Elenco: Robert Downey Jr., Chris Hemsworth, Mark Ruffalo, Chris Evans, Scarlett Johansson, Jeremy Renner, Don Cheadle, Aaron Taylor-Johnson, Elizabeth Olsen, Paul Bettany, Cobie Smulders, Anthony Mackie, Hayley Atwell, Idris Elba, Stellan Skarsgård, James Spader, Samuel L. Jackson
Duração: 2h21min