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OnBox: Visceral e sombrio, assim é “Flesh and Bone”

OnBox: Visceral e sombrio, assim é “Flesh and Bone”

A arte da dança é algo verdadeiramente incrível. A forma como bailarinas e bailarinos conseguem mover seus corpos desafiando a si mesmos e até a gravidade é de tirar o fôlego. É uma arte que requer dedicação, disciplina e talento. Mas, acima de tudo, é necessário suportar a pressão psicológica que existe ou você quebra.

O seriado limitado de 8 episódios do canal Starz Flesh and Bone foi mais além nesse mundo e decidiu equiparar a beleza dos movimentos do ballet com a sujeira que existe por trás dele.

A trama gira em torno da novata Claire Robbins (Sarah Hay) que decide sair fugida de Pittsburg para tentar a chance de ingressar na Academia Nacional de Ballet em Nova Iorque. Ela quase estraga sua oportunidade, mas recebe de Paul Grayson, o dono do estúdio, a chance de tentar de novo e acaba impressionando a banca de jurados ao conseguir uma vaga. Lógico que tal ascensão iria despertar inveja das demais bailarinas, pois ninguém nunca ouviu falar de Claire, o que no mundo competitivo da dança, quer dizer muita coisa. Se eles não sabem quem você é, farão de tudo para te derrubar. Em contrapartida, a garota é extremamente introvertida e guarda segredos profundos que serão revelados ao longo dos episódios.

De início fica parecendo que estamos assistindo a mais um conto da gata borralheira, a menina que saiu de uma cidade pequena lá no interior e vai a muito custo conseguir ser bem sucedida na dança e se tornar uma grande bailarina. E, bem, não é o que acontece. Ao menos não com todo esse floreio.

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A competição existe e é mostrada de forma clara, com fofocas sem fundamento e tentativas de sabotagem, externas e internas. Entretanto, a maior inimiga de Claire e ela mesma, pois carrega uma culpa tremenda dentro de si e é aí que a personagem começa a se transformar. Primeiro pensamos que ela fugiu de casa por causa de algum abuso que sofreu, afinal, havia um cadeado na parte de dentro da porta do quarto. Depois, com a chegada do irmão, o quadro começa a ser pintado de outro modo, o que nos deixa confusos. Por fim, vemos o quão deturpada é a relação dos dois, algo a la família Lannister e que o fato de Claire se auto-flagelar tem a ver com isso, com a sensação de que nada parece real a não ser o que ela tem com Bryan.

Mas não só dessa relação vive o Flesh and Bone. Há ainda os problemas pessoais de alguns bailarinos, envolvimento com a máfia russa e uso contínuo de drogas para se exceder na dança. A fotografia e edição da série foram feitas com excelência ímpar, sem mencionar as coreografias. No quesito atuações apenas dois conseguem se destacar, Sarah Hay que vive a obscura Claire e Ben Daniels que dá voz ao maníaco diretor do estúdio Grayson tão narcisista que se afoga nos próprio problemas que cria.

Infelizmente se trata de uma temporada única, mas que é muito bem construída e que soube explorar o mundo da dança sob outra perspectiva. A série ainda concorreu a dois Globos de Ouro.