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“Robin Hood” ganha nova origem e história

“Robin Hood” ganha nova origem e história

Todos conhecem a história de Robin Hood: o fora da lei que roubava dos ricos, para dar aos pobres. E é claro, tirava o Xerife de Nottingham do sério. Essa parte da história é igual em qualquer releitura, mas e sua origem?

Robin Hood – The Origin, que no Brasil ficou Robin Hood – A Origem, trás uma nova percepção para a origem do herói. Sim, uma nova. Esqueça tudo o que você leu ou viu. De uma forma que tenta ser historicamente aceitável, se afastando dos contos de fadas, temos uma nova história.

Quando Robin de Loxley (Taron Egerton), um jovem senhor de terras, conhece Marian (Eve Hewson) tentando roubar um de seus cavalos, se apaixona a primeira vista. Enquanto o jovem casal vive um intensa história de amor, o xerife de Nottingham (Bem Mendelsohn), assola os mais pobres com taxas para financiar as cruzadas da Igreja.

Ao ser convocado para as cruzadas, Robin deixa seu grande amor em casa e parte para uma guerra contra os árabes. Após quatro longos anos, ao tentar ajudar um prisioneiro, acaba ferido. Sendo encaminhado de volta à Inglaterra, não estava preparado para descobrir que o deram como morto, tendo sua propriedade confiscada e destruída, e seu grande amor, junto a outro homem, Will (Jamie Dornan).

Perdendo as esperanças, é escolhido por John (Jamie Foxx), um prisioneiro sobrevivente, para ser a mão da justiça dos oprimidos. E das ideias dele, nasce o encapuzado “The Hood”, que deixa o xerife e a Igreja desesperados com os roubos.

Cuidado! Crítica com Spoilers

Como uma história de origem, gostei de alguns elementos, embora outros incomodassem fortemente desde o início do filme. Por gostar muito do ambiente de época, os elementos modernos demais nas roupas, me causaram incômodo inicialmente.

Robin Hood – A Origem, busca traçar um paralelo entre o passado e o atual. Por isso a escolha dos figurinos. Há uma cena em versão medieval que é digna de uma manifestação atual. A sensação é de que era agora, em uma cidade muito antiga. Neste momento as ideias se encaixar de forma perfeita com outros elementos. Um grande exemplo é a guerra contra os árabes, causada pela Igreja. Por ser algo que certamente não seria errado historicamente, no primeiro momento, não se percebe o paralelo com a guerra do Iraque.

Talvez pelo fato de escrever e ler muito, percebi o detalhe de uma reviravolta final muito cedo na trama. Não acho que isso seja de todo ruim. Afinal meu olhar é treinado quanto a isso. Percebi por gostar muito da história. O próprio xerife ser exatamente o homem com quem Marion se envolve justifica ainda mais o ódio entre a Lei e o Herói. Dando um inicio perfeito para a história que todos conhecem.

Mudar os personagens… É preciso?

Um ponto que entendo, embora não goste, é quando uma releitura pega uma personagem que era a donzela em apuros e a muda completamente porque nos tempos atuais essa ideia se perdeu e buscamos mulheres fortes. Não que ache que as mulheres devam ser sempre donzelas em apuros. Porém, também não acho que o que foi escrito num passado onde algo era comum precise ser modificado por questões de concepção atual. Um exemplo disso é quando colocam Guinevere como guerreira em adaptações de Rei Arthur.

Incrivelmente a mudança da Marion não me incomodou. Devido a essa atmosfera de paralelo do passado com o atual, é completamente aceitável que ela seja esse exemplo de mulher determinada, proativa, e que não se conforma com as crueldades à sua volta. Nesse cenário, a ideia da donzela em apuros realmente não faz parte.

Num geral eu achei o filme bom. Embora muita gente vá detestar esses elementos por não entender a relação entre eles. Minha dica é abra o coração para o novo, que a história está boa.

Ficha Técnica:
Direção: Otto Bathurst
Roteiro: Ben Chandler, David James Kelly 
Produtores: Jennifer Davisson Killoran, Joby Harold, Leonardo DiCaprio, Tory Tunnell
Elenco: Taron Egerton, Jamie Foxx, Ben Mendelsohn, Eve Hewson, Jamie Dornan, Tim Minchin, Paul Anderson, F. Murray Abraham, Ian Peck, Cornelius Booth, Kane Headley-Cummings, Scot Greenan, Lara Rossi
Duração: 1h56min
Estreia: 29 de novembro