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“Rocketman”: a fantasia musical de um astro

“Rocketman”: a fantasia musical de um astro

Elton John é um astro e isso não tem como nem porque negar. Entretanto, suas músicas são mais famosas do que a sua história e isso Rocketman faz questão de corrigir.

O longa tem início num ponto de virada na vida do cantor. Mas como ele chegou até aqui é uma incógnita para o espectador. Então voltamos a infância de Reggie Dwight (verdadeiro nome de Elton) para entender de onde surgiu o cantor. Lá nos subúrbios de Londres, um tímido garoto sonhava em ser amado por seus pais. Como isso não acontece, ele encontra na música uma forma de apaziguar seus anseios. Reggie era um prodígio, auto didata e com audição perfeita para interpretar e replicar as melodias no piano. Seu talento nato abriu portas para que começasse a entender o que queria dessa vida de artista. Em uma dessas portas ele conheceu o compositor Bernie Taupin (Jamie Bell). Com quem daria início a uma parceria que permanece até hoje.

Só que escrever canções não era o suficiente e Reggie queria cantá-las para o público. Mas como ele faria isso sendo Reggie Dwight? Foi então que recebe um conselho que mudaria sua vida e o transformaria em Elton John.

Desse ponto em diante a carreira dele e de Bernie alavanca de uma maneira espetacular. Todos esses momentos memoráveis nos são apresentados em formato de musical, com edição primorosa e com direito até a números de dança. O que serve tanto para momentos felizes quanto para os tristes. Afinal, nem tudo são flores na vida de Elton John.

Rocketman faz questão de mostrar para o público todos os aspectos da vida do cantor. Sem mascarar nada, sem floreios. Desde o uso abusivo de drogas, bebidas e sexo, até o ponto em que encontramos o Elton lá no começo do filme. Aliás, esse – além de outros pontos – é um dos maiores trunfos do longa. O roteiro não supõe que todos conhecem a vida do cantor, então, através de suas canções, umas mais famosas do que outras, constrói a narrativa de maneira a apresentar de novo Elton John ao público. Mas sob uma nova perspectiva, pois é provável que já se tenha escutado uma canção ou outra, mas desconheça a origem dela. E isso acaba sendo mais um ponto a favor de Rocketman.

Toda a produção do filme é um deleite para os olhos. Os figurinos foram recriados quase que a risca, com leves modificações. Os cenários são os mesmos os quais as situações ocorreram, mas nada pode preparar o espectador para a atuação de Taron Egerton.

Desacreditado por muitos, Egerton entrega uma atuação tão genuína e verossímil que por várias vezes pensei estar vendo o próprio Elton em cena e não o ator. A forma a qual imita os trejeitos do cantor denota uma intensidade em sua pesquisa para o papel que funciona muito bem. E não dá para esquecer o seu talento vocal. É Taron quem canta todas as músicas de Rocketman. Dá a sua interpretação as canções de Elton John de forma que seja tão dele e parecida com o cantor ao mesmo tempo.

A propósito, todo o elenco foi escolhido com perfeição. O que contribui para que a química entre eles tenha êxito e passe verdade ao espectador. Mas, tal qual o próprio retratado, não tem para mais ninguém além do próprio Taron Egerton em Rocketman. O show, nesse caso o filme, é inteiramente dele. Algo que deve ter aprendido com o próprio Elton John.

Ficha Técnica
Diretor: Dexter Fletcher 
Roteiro: Lee Hall 
Elenco: Taron Egerton, Jamie Bell, Richard Madden, Bryce Dallas Howard, Gemma Jones, Steven Mackintosh, Tom Bennett, Matthew Illesley, Kit Connor, Charlie Rowe, Peter O'Hanlon, Ross Farrelly, Evan Walsh, Tate Donovan, Sharmina Harrower  
Duração: 2h1min 
Estreia: 30 de maio