Share
Segunda temporada de “Trapped” é confusa

Segunda temporada de “Trapped” é confusa

Trapped é a série mais cara já produzida na Islândia. A primeira temporada fez tanto sucesso que uma sequência foi encomendada. Só que diferente da primeira a qual tinha um clima denso de suspense, com muita neve e mistério, a nova temporada não tem neve e possui roteiro confuso e problemático.

Quando conhecemos Andri, Hinrika e Asgeir estavam as voltas com a descoberta de um torso. Presos no meio de uma forte nevasca precisavam se virar com poucos recursos até a chegada de reforços da capital. Mas parece que uma pequena cidade consegue esconder muito mais segredos do que se poderia imaginar. E são esses segredos que ditam o tom da primeira temporada. Só que essa mesma fórmula não funciona tão bem na nova temporada de Trapped.

Andri deixou o cargo de chefe da polícia para Hinrika e se mudou para a capital com a família. Mas é obrigado a voltar para investigar o motivo por detrás do ataque à ministra da indústria provocado pelo seu irmão gêmeo, um habitante local. Não demora muito um outro assassinato ocorre e Andri, Hinrika e Asgeir se veem mais uma vez com um misterioso caso nas mãos e sem pistas do possível assassino. A diferença é que dessa vez a pressão da capital para resolver é bem maior. E Andri também precisa lidar com problemas de comunicação com a filha adolescente.

ROTEIRO CONFUSO

O chamariz da primeira temporada de Trapped é justamente o roteiro bem construído e que mostra a cada episódio apenas as peças necessárias para que o espectador não tenha noção do que está acontecendo até o final. Infelizmente, não é o que ocorre nessa nova temporada. Para aquele que estiver bem atento, vai descobrir fácil quem é o assassino. Mas isso não importa tanto se não souber o que o levou a cometer tais crimes. Nesse ponto nem os roteiristas parecem saber da motivação. É tão confusa e envolve tantos personagens que poderia facilmente ser deixada de lado.

Não existe sub-plots como na primeira temporada e tudo gira em torno de uma única família. O caminho percorrido até chegarmos na resposta é tortuoso. Até lá vemos diálogos soltos, sem muita conexão com a trama e personagens tendo atitudes burras que não se justificam. O jogo de gato e rato é ilusório e os protagonistas correm atrás do próprio rabo.

Nos dois últimos episódios, aqueles que trazem à tona a verdade, não possuem o impacto que deveriam ter pois o espectador já está tão cansado que só quer terminar de vez a temporada.

PERSONAGENS PROBLEMÁTICOS

Lógico que um roteiro confuso iria resultar em personagens problemáticos e tem dois que se destacam: Laufey e Thorhildur. Primeiro vamos falar de Laufey a tia negligente de Thorhildur e cunhada de Andri.

Todas as suas ações e a falta de interesse para com a sobrinha é gritante e atrapalhou muito o caminhar da trama pois ficou faltando um conflito entre ela e Andri. A passividade com a qual ambos os personagens agiam ao conversar sobre assuntos sérios, em especial a maneira de educar Thorhildur, é muito problemática porque não havia diálogo. Meia dúzia de palavras eram proferidas e um ou outro dava as costas e fim de cena. O que nos leva a falta de conflito entre pai e filha, mas aqui isso foi prejudicial para a trama.

Thorhildur como típica adolescente irritada e com problemas com o pai foi a pior decisão para o roteiro, pois levou a personagem a cometer atitudes pífias a fim de provar um ponto que não fazia o menor sentido. Toda a investigação acabou sendo jogada para escanteio enquanto Andri precisava lidar com isso sem saber como. Já que não havia conflito ou discussão, as atitudes da adolescente foram infundadas e que a colocam em perigo de graça. Nada do que faz é para provocar o pai, mas o roteiro confuso quer que o espectador pense isso.

CONTINUAÇÃO

Por se tratar de uma das séries mais caras já produzidas na Islândia, uma terceira temporada foi encomendada. Provável que vá estrear em algum momento no final desse ano ou no início do próximo. Espero apenas que avaliem bem o que fazer com os personagens e criem uma trama envolvente. O que chamou a atenção do espectador foi o clima denso, a neve e a sensação real de estar preso a um lugar, igual ao significado do título da série Trapped.

FICHA TÉCNICA
Criador: Baltasar Kormákur
Roteiro: Clive Bradley, Sigurjón Kjartansson, Baltasar Kormákur, Sonia Moyersoen, Klaus Zimmermann
Elenco: Ólafur Darri Ólafsson, Ilmur Kristjánsdóttir, Ingvar Sigurdsson, Elva María Birgisdóttir, Baltasar Breki Samper, Guðjón Pedersen, Sigrún Edda Björnsdóttir, Björn Hlynur Haraldsson, Katla M. Þorgeirsdóttir, Nína Dögg Filippusdóttir, Júlia Guðrún Lovisa Henje, Pálmi Gestsson, Salka Sól Eyfeld, Bjarne Henriksen, Þorsteinn Bachmann, Stormur Jón Kormákur Baltasarsson, Sólveig Arnarsdóttir, Aron Már Ólafsson
Duração: 10 episódios 
Serviço: Netflix