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“Shaft” é hilário e para poucos

“Shaft” é hilário e para poucos

Na década de 70 o subgênero blaxploitation – a exploração de estereótipos do negro americano mas dessa vez o negro sendo o protagonista e herói – fez muito sucesso, principalmente com Shaft. Pela primeira vez o negro americano se via num papel de destaque e não mais tão à margem da sociedade. O longa teve mais duas sequências e logo depois uma série para a televisão. Em 2000 ganhou um reboot com Samuel L. Jackson no papel principal e agora, Shaft ressurge na Netflix.

John Shaft é um detetive que conhece como ninguém as ruas do Harlem e, consequentemente, de Nova York. Deixou para trás seu trabalho de policial e vive como investigador particular. Porém, devido a periculosidade da sua profissão, sua namorada Emma decide mudar de cidade para a segurança do filho do casal. Assim, JJ cresce longe do pai e coberto de mimos pela mãe. O garoto se torna analista do FBI e quando seu melhor amigo morre em circunstâncias suspeitas, JJ resolve que é hora de ir atrás do pai e pedir ajuda.

Shaft - Jackson e Usher

Shaft é repleto de um humor sarcástico, único e que talvez muitos não entendam. Principalmente devido ao subgênero o qual o longa se encaixa. O blaxpoitation faz justamente piadas com o estereótipo do negro americano e aqui, nesse caso em específico, não é pejorativo ou possui qualquer conotação ruim. Além do mais, é necessário compreender um pouco da cultura do negro americano a fim de entender as referências e piadas ditas ao longo do filme. O que é um dos pontos altos de Shaft.

Mesmo que cheio de cenas de ação, o destaque é a comédia. Em especial na relação estremecida entre Shaft pai e Shaft júnior. JJ é a personificação de um homem branco no corpo de um negro, pelo menos aos olhos do pai. Tudo é motivo para zoação, desde as roupas que ele veste, como corta o cabelo, seus ideais e até mesmo a decoração do apartamento. Essa diferença entre gerações rende ótimas piadas e torna-se o ponto de partida na construção da relação entre os dois. Uma das cenas mais engraçadas acontece logo no final quando Shaft Sr. – Roundtree retorna ao papel sem perder o charme – luta contra um dos bandidos. Todavia, as cenas de comédia não deixam passar que o roteiro de Shaft é frágil.

Shaft - Jackson, Roundtree e Usher

O motivo que une os protagonistas não é bem trabalhado, na verdade é apenas um pretexto para que um chegue até o outro. Fora isso, é uma confusão sem fim de intenções, nomes do passado com nomes do presente e tiros. O que inclui o conflito gerado para que haja uma breve separação entre Shaft e JJ. É tudo muito superficial. Felizmente, se o espectador conseguir relevar a fragilidade do roteiro e concentrar apenas nas cenas ação e comédia, vai dar boas risadas.

Shaft estreou de surpresa na Netflix e vale a pena assistir, em especial se for fã do subgênero e também da franquia.

FICHA TÉCNICA
Diretor: Tim Story 
Roteiro: Kenya Barris, Alex Barnow 
Elenco: Samuel L. Jackson, Jessie T. Usher, Richard Roundtree, Regina Hall, Alexandra Shipp, Matt Lauria, Titus Welliver, Method Man, Isaach De Bankolé, Avan Jogia, Robbie Jones, Aaron Dominguez, Ian Casselberry, Almeera Jiwa
Duração: 1h51min