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“Star Trek: Discovery” inova e não desaponta!

“Star Trek: Discovery” inova e não desaponta!

Tem 51 anos desde a estreia da série clássica de Star Trek criada por Gene Roddenberry. Com três temporadas e 79 episódios, ironicamente, o seriado não fez o sucesso que era esperado e foi cancelado pela CBS. A mesma emissora que retorna com Star Trek: Discovery, para o deleite dos antigos e novos fãs.

Foi na década de 70, após várias reexibições na televisão, que Star Trek ascendeu ao status de cult. O qual permanece até hoje. E a nova série da emissora se passa exatamente 10 anos antes da Enterprise sequer existir. Kirk? Spock? Bones? Uhura? Nem sinal.

Star Trek: Discovery, lançada ontem no serviço de streaming da CBS, gira em torno da personagem Michael Burnham (Sonequa Martin-Green) que é uma humana, mas viveu e foi treinada em Vulcan. Sarek (James Frain) que é seu tutor, e pai do Spock, pede então a Capitã Georgiou (Michelle Yeoh) que a acolha na nave Shenzhou para ser sua Primeira Oficial. Após sete anos sob o comando de Georgiou a tripulação da Shenzhou acaba encontrando um estranho objeto no espaço. Sempre curiosa, Burnham decide investigar ela mesma o artefato e acaba se deparando com uma nave Klingon.

Acontece que o primeiro encontro com a raça que ninguém ouve falar a mais de 100 anos, não termina bem. E como nenhum dos sensores captou o encontro, Burnham tem dificuldades para que acreditem nela. Até a nave liderada por T’Kuvma surgir grandiosa diante de seus olhos. O que fazer a seguir? A Capitã tem um plano, enquanto Michael tem outro, assim elas acabam divergindo e criando uma situação complicada: a quebra da linha de comando. Como agir enquanto uma nave ameaçadora paira bem a sua frente? Quais decisões tomar e quais são as atitudes certas? Agir com a lógica ou com o coração? Seguir quais ordens? Por quê?

Muitas dessas perguntas são respondidas nos dois episódios lançados pela CBS. Tal qual as consequências. Sendo o completo oposto do Spock, personagem o qual não tem como fugir a comparação, Michael tenta aplicar a sua lógica de uma outra forma, deixando que as emoções a guiem, ao invés de se fechar por completo. Justamente por isso, a personagem se torna tão crível e interessante quanto o próprio Spock. São dois opostos que funcionam e fazem sentido. Além do mais, Martin-Green conseguiu criar uma conexão singular com a personagem, fazendo com que se aproxime mais do espectador. Que o mesmo possa criar esse vínculo imediato com ela que possui falhas como qualquer ser humano. Ainda que esteja um pouco acima de todos nós.

O roteiro foi bem desenvolvido por Bryan Fuller e Alex Kurtzman e tem elementos que conectam esta série com a clássica. Mesmo que usem recursos tecnológicos de 2017 (o que não tem o menor problema), toda a ambientação, os cenários, a própria nave e demais adornos estão primorosos. Na verdade, neste ponto, há uma visível mistura de tudo o que foi feito nas outras séries da franquia. São pequenos elementos, os famosos easter-eggs, que os fãs certamente devem adorar encontrar e ligar as referências.

Já os antagonistas desta temporada, os Klingon, são uma grata surpresa. Tendo sido apenas mencionados e com breves participações na série clássica, tiveram mais destaque em The Next Generation e demais série. Aqui, ao que tudo indica, vai ser o começo (ou quase tendo em vista que a história do confronto antecede os acontecimentos da série) da famosa guerra que a Federação vem travando contra os Klingons e que ficou bem estabelecida nas demais temporadas do seriado.

Toda a ambientação da nave inimiga, em especial a maquiagem, ajudou para que essas figuras icônicas tomassem uma forma impactante e se posicionassem como a enorme ameaça que são. Sem deixar de lado o idioma gutural que muito é repetido e aprendido mundo afora. Me lembrou um pouco a língua dos Dothraki em Game of Thrones.

Star Trek: Discovery – que contou com o auxílio dos fãs para ser construída – mostrou em apenas 2 episódios que houve todo um cuidado para preservar o legado da série e também apresentar inovação, sem ferir ou tampouco manchar o que foi feito anteriormente. Como a nova abertura que tem a assinatura de Jeff Russo e misturou elementos da série clássica com uma outra roupagem. Todavia, ainda possui aquele toque familiar que os fãs com certeza vão adorar. O design da abertura está minimalista e apresenta uma série de objetos que fazem parte deste universo. Os desenhos remetem a um esboço feito por um projetista na hora de elaborar sua próxima criação. Quase como se tirados da mesa de desenho.

A série vai ao ar todo domingo pela CBS Access e os episódios novos entram na segunda-feira na Netflix.