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“Star Wars: A Ascensão Skywalker” não quer agradar a todo mundo

“Star Wars: A Ascensão Skywalker” não quer agradar a todo mundo

Star Wars: A Ascensão Skywalker estreia hoje mundialmente e encerra 42 anos da maior saga da história do cinema. Entretanto, o longa dirigido por J.J. Abrams possui uma missão complicada e com certeza não era a de querer agradar a todos os fãs da franquia.

A Ascensão Skywalker começa rápido, sem diálogos, no meio de uma cena de ação. Aliás, todo o primeiro arco do filme evolui de maneira apressada que se o espectador piscar, tem o risco de perder informação. Neste ponto temos algumas explicações de onde se encontram os personagens após os eventos de Os Últimos Jedi, assim como quais são os próximos passos. Porém, o objetivos de ambos os lados da força são claros: a Resistência precisa frear as investidas de Kylo Ren com os Sith; a Primeira Ordem tem que se reerguer como frota a fim de tornar o Império uma realidade outra vez. O problema é a quantidade de situações que acontecem em pouco mais de duas horas de projeção.

A Ascensão Skywalker

Abrams entrega praticamente dois filmes em um. A Ascensão Skywalker corre para tentar responder uma série de perguntas em aberto, enquanto luta para concluir de maneira redonda a trilogia. Sem uma participação maior de Carrie Fisher, que faleceu antes de concluir as gravações do filme, o longa recai sobre os ombros dos novos membros da resistência: Rey, Finn e Poe. Sendo assim, há uma divisão desigual entre as cenas as quais protagonizam. Quando estão todos juntos, a dinâmica funciona bem e são esses os momentos de melhor fluidez do longa. Todavia, o problema ocorre quando precisam se separar. É quando começa a profusão de eventos e informações de todos os lados.

O que dá a entender é que A Ascensão Skywalker refez o que Os Últimos Jedi deveria ter feito e, com isso, meio que apagou o filme de Rian Johnson da trilogia. Por isso essa impressão de que são dois filmes em um, pois tenta resolver todos os buracos abertos do roteiro. Bem, fato é que algumas coisas ficam em aberto, contudo, são pontos nunca abordados antes na saga, logo, não faz tanta diferença serem explicados ou não. A quantidade de fan service ou responsabilidade afetiva, como queira chamar, é usado como uma espécie de distração para que o espectador não se atente as falhas de roteiro.

A Ascensão Skywalker

Pois, são elas que acabam por sustentar o lado sentimental do longa e que mantém o espectador conectado até o fim. Seja por ouvir um diálogo esperado, rever antigo ou antigos personagens, planetas, naves, aprender mais sobre o passado de Rey, e até mesmo o prazer em descobrir novas criaturas. Embora, existe a preocupação de Abrams com a riqueza de detalhes do universo, o foco de A Ascensão Skywalker se encontra em estabelecer a fé na força. Uma fé que motiva os personagens e coadjuvantes. A força é finalmente elevada ao status de religião. Um ponto o qual foi arduamente debatido ao longo de todos esses anos. Bem, dessa vez não resta dúvidas, acreditar na força, se abrir a ela, criar uma conexão, funciona como numa religião. Só quando você está pronto para aceitá-la que começa a mudar quem você é.

Star Wars: A Ascensão Skywalker não é nem de longe o filme que os fãs mais fervorosos esperavam para concluir a saga depois de 42 anos. No entanto, essa nova trilogia, que começou com O Despertar da Força, foi idealizada para um novo público. Aqueles com uma mente mais aberta, sem preciosismo, desprendidos de preconceitos e prontos a receber novos projetos deste universo. A ideia aqui parece não ser a de agradar a todo mundo, mas sim, apenas aqueles que abraçaram essa nova trilogia. E nesse ponto, não erraram.

FICHA TÉCNICA
Direção: J.J. Abrams 
Roteiro: Chris Terrio, J.J. Abrams 
Elenco: Carrie Fisher, Daisy Ridley, Mark Hamill, Adam Drive, John Boyega, Oscar Isaac, Anthony Daniels, Naomi Ackie, Domnhall Gleeson, Richard E. Grant, Lupita Nyong'o, Keri Russell, Joonas Suotamo, Kelly Marie Tran, Ian McDiarmid
Duração: 2h21min 
Estreia: 19 de dezembro