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Start: ‘Stardew Valley’ é simples, mas vicia

Start: ‘Stardew Valley’ é simples, mas vicia

Sou da época do Atari. Não que tenha nascido naquela época, mas fui agraciada com um irmão mais velho e uma mãe que sempre curtiu jogos eletrônicos, logo, pude testar um quando criança. Talvez por isso jogos com gráficos mais simples não me incomodem, pois vi essa transição de 8-bits para títulos com gráficos incríveis e personagens baseados em atores reais. Stardew Valley segue essa mesma premissa de gráficos simplistas, jogabilidade descomplicada e história singela e cativante.

Lembro que meu primeiro contato Stardew Valley foi através de um artigo na internet meses atrás. Não consigo dizer exatamente o conteúdo do artigo, mas dividi com um amigo gamer e ele então me explicou a atual febre naquele momento. Seria uma evolução dos jogos estilo fazenda o que me alegrou bastante, pois cheguei a emular Harvest Moon no computador uma vez e era viciada. Por isso decidi esperar o fim do semestre na faculdade para reativar minha conta na Steam e pegar esse tão falado título, assim como um outro game de co-op que vai ficar para outro post.

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A premissa do título é simples, você (menino ou menina, tanto faz) recebe uma misteriosa carta de seu avô que faleceu com a instrução de só abri-la quando sentir a necessidade de mudança. É então que vemos nossa protagonista presa em um cubículo num escritório fazendo movimentos repetidos. Cansada daquela vida, abre a carta e descobre que o avô lhe deixou uma fazenda de herança e é então que você larga tudo e vai viver na pequena cidade de Pellican Town. Chegando lá era meio óbvio que o terreno não estivesse nas melhores condições e sua casa limita-se a um cômodo apenas com mesa, cadeira, lareira, televisão para acompanhar a previsão do tempo ou outros dois canais úteis e uma cama na qual é possível salvar o progresso do jogo ao final de cada dia. O que muito se assemelha a Harvest Moon e não poderia ser diferente já que estamos falando dos mesmos criadores.

Agora que herdou uma fazenda, o que dá para fazer com ela? Inúmeras coisas. E é aqui que mora a grande diversão do jogo, não limitar o jogador ao papel único de fazendeiro.

O jogo começa na Primavera e o ano é dividido pelas quatro estações cada qual com 28 dias. Durante esses dias tem os aniversários dos habitantes da cidade e festividades as quais é importante participar. Com relação aos aniversários é uma ótima oportunidade para estreitar laços de amizade e ou relacionamento amoroso. Cada personagem pode ganhar até dois presentes por semana e acertando o que a pessoa gosta, as chances de ganhar coração aumentam.

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As estações são bem específicas e através do canal do tempo dá para saber a previsão para o dia seguinte e se programar. Primavera e Verão é a época de aumentar as plantações resultando em muitas colheitas ou mesmo cogitar comprar animais. Porém, é bom se planejar e decidir se prefere viver da plantação ou dos animais, sendo praticamente impossível cuidar sozinho dos dois ao mesmo tempo, o que dependendo do tamanho que tenha expandido sua fazenda, pode levar um dia inteiro. O Outono é conhecido como a estação de fazer dinheiro. As sementes rendem mais e consequentemente custam mais para venda também, além de ser possível colher muitos frutos pela cidade e revendê-los. Já o Inverno, onde só dá para plantar sementes bem específicas é a estação para se planejar para a próxima. Hora de fazer upgrade nas ferramentas, aumentar a casa ou até construir celeiros e galinheiros para futuros animais. Também é uma boa opção explorar mais a Mina e seus inúmeros níveis.

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Fato é que a fazenda é a principal fonte de renda, porém, nada impede o jogador de tomar outros caminhos para gerar dinheiro se achar que plantação apenas seria chato. Nesse caso há obstáculos que devem ser previstos como não poder cozinhar alguns itens ou não poder completar certas missões que requerem itens de plantação. Ainda assim, é uma escolha livre. Há inúmeras possibilidades fora da fazenda com missões bem simpáticas e divertidas, como por exemplo encontrar as calças roxas favoritas do Prefeito que não direi aonde estão, mas garanto que é uma surpresa boa.

Assim como a maioria dos jogos de RPG existe uma série de atividades que é preciso cumprir, quase um tutorial, para que possa ser livre no restante do jogo. Cumprindo essas missões garante um bônus em dinheiro e também o aumento de suas habilidades. Ao chegar no nível 5 de cada habilidade (são cinco no total) o jogo lhe dará duas opções de especialidade dentro daquela determinada skill. Em farming (cuidar da fazenda) é possível escolher lucrar 10% a mais por cada colheita ou ter 10% a mais de lucro sobre os produtos oriundos dos animais como leite, ovos e afins. Para cada habilidade há uma decisão a ser feita e que determina como quer conduzir o jogo.

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Os habitantes da pequena cidade são um caso a parte. Como era de se esperar, talvez aqui esteja o ponto fraco de Stardew Valley, os personagens são bastante estereotipados, principalmente os homens. A grande maioria possui uma história a qual já vimos antes, nada que atrapalhe a experiência do jogador, mas que cansa um pouco por não ter surpresa alguma. E já que existe a possibilidade de casar com um deles, fica complicado não analisar com base nas interações que ocorrem, então a dica é tentar subir ao máximo os corações para presenciar a verdadeira natureza dos personagens que parece ir além daquelas frases feitas. Todavia, alguns não tem muito para acrescentar mesmo, deixando as mulheres como as personagens mais interessantes do jogo. Fica a dúvida se a falha é devido ao tamanho da cidade ou mesmo se é um problema na construção do roteiro tendo em vista que casamento não é o objetivo principal. Felizmente temos a opção de casar com alguém do mesmo sexo.

Apesar de tudo o que dá para fazer, minha maior diversão na última semana está sendo completar as quests do Community Center.

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Em um determinado momento do jogo o Prefeito vai te levar até uma construção abandonada no mapa e apresentar o que antes costumava ser o Community Center da cidade e que agora está completamente entregue e destruído. Enquanto ele conta a história do lugar você vai vislumbrar um ser pequeno e colorido e se espantar com ele. Mais tarde, visitando a torre do mágico, ele vai te contar sobre os Juminos, os protetores da floresta. Cada cômodo do Community Center possui uma pedra e nessa pedra está marcada uma árvore e cada galho da árvore possui uma quest a ser completada. Algumas pedras possuem de três a seis quests para preencher e que são bem específicas. Praticamente uma espécie de caça ao tesouro. Você coleta os itens que pedem, coloca nos lugares e espera para ver qual a recompensa que sempre envolve itens raros e não são possíveis de conseguir de outra maneira no jogo. Se completar a quest inteira, os Juminos desbloqueiam uma parte do mapa ou restauram algo na cidade. Além de revitalizar o cômodo no qual se encontrava a pedra. Finalizei o primeiro ano do jogo e por enquanto só consegui completar uma área do Community Center, mas continuo em frente.

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Stardew Valley é um jogo simples, mas que vicia no primeiro instante. É tanta coisa para descobrir e fazer que a vontade é não parar mais de jogar. Entretanto, após as primeiras experiências e conforme as estações vão passando, fica aquela sensação de repetição e que pode cansar um pouco. Por isso vale a pena jogar em doses homeopáticas e ir desfrutando do título ao invés de querer testar tudo de uma única vez.