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“Terra Selvagem” se perde na própria trama

“Terra Selvagem” se perde na própria trama

Alguns filmes utilizam da ficção para relatar casos reais e chamar atenção. Entretanto, algumas vezes, acabam se perdendo na própria trama que é o caso de Terra Selvagem.

O longa que foi escrito e dirigido por Taylor Sheridan narra a investigação policial numa reserva indígena para descobrir a causa da morte de uma garota local. O corpo é encontrado por Cory (Jeremy Renner) que trabalha na área e conhece o lugar muito bem. O FBI decide mandar a novata Jane Banner (Elizabeth Olsen) para liderar o caso. Que logo encontra dificuldades para conduzir entrevistas e se locomover pela região. Não demora a constatar que as coisas daquele lado da fronteira são bem diferentes. Ninguém se importa com os nativos. A não ser eles mesmos.

Quando Terra Selvagem (Wind River) acaba fica claro – através de um disclaimer – que o intuito do diretor era alertar para o fato de que não há qualquer estatística sobre o desaparecimento de mulheres indígenas. Os Estados Unidos não mantém esses dados como de outras mulheres. Acontece que isso não é explorado no longa como deveria, apontando assim, uma grande falha.

A personagem da Elizabeth Olsen não tem tempo hábil para desenvolver a investigação como deveria, pois toma-se muito tempo construindo a cerne do personagem do Jeremy Renner. Algo que podia ser incluído aos poucos, ao longo do filme, recebe mais atenção do que o necessário. Desviando assim o foco do plot principal que é resolvido num flashback. Desperdiçando a chance da trama ganhar uma significância maior e alertar sobre o descaso para com as pessoas que vivem nas reservas indígenas. Digo mais, de se tornar um excelente filme de suspense policial.

Por outro lado, os diálogos são bem elaborados e por terem trabalhado juntos anteriormente, Renner e Olsen combinam em tela. Sheridan também soube construir as cenas de ação. E o cenário contribui bastante para prender a atenção do espectador até o final.

Só é lamentável que Terra Selvagem não tenha sido melhor planejado para se tornar o filme que poderia ser. Tem uma premissa inteligente e atual, ótimos atores, cenários incríveis e intenção de alertar sobre algo sério e relevante.

O longa esteve em cartaz durante o Festival do Rio 2017 e entra em circuito nacional em 02 de Novembro.