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“The Rain” e seu inimigo silencioso

“The Rain” e seu inimigo silencioso

Estreou nessa sexta-feira (04/05) a primeira temporada de The Rain. Mais uma série original da Netflix em parceria com a Dinamarca. A premissa da série é interessante, porém, o enredo é mal desenvolvido.

The Rain dá a sensação de que começa no meio de algo que não nos é apresentado. Um pai arranca sua filha (Alba August) da escola e só fala que eles precisam ir embora dali. A chuva está vindo. Na estrada, sem qualquer explicação, leva a família para um local seguro. Ocorre um acidente e eles precisam se esconder em um bunker na floresta. Bunker esse que pertence à Apollon, empresa a qual o pai trabalha. Mas o que é esse serviço, as razões deles estarem ali, não são ditas.

O que levanta aquela curiosidade básica que vai fazer o espectador continuar assistindo. Mesmo com esse monte de lacunas em branco do enredo.

Simone então precisa seguir as ordens do pai e ficar no bunker e proteger seu irmão Rasmus. De acordo com o pai, ele é a chave daquilo tudo. Os dois tentam sair do bunker em um momento, mas ficam tão traumatizados que desistem. Seis anos se passam e eles continuam lá. Mas os recursos estão esgotando. Uma hora vão precisar encarar o mundo lá fora. É quando são atacados e obrigados a sair de lá a força. Um grupo procurando por comida assalta o bunker, mas Simone temendo ficar para trás e presa com o irmão, propõe uma troca: nos levem junto e mostraremos aonde tem mais comida.

A partir daqui o seriado tem seus picos bons e ruins. Em certos momentos parece que o foco é o relacionamento humano. Que é o lado bom. Tanto que somos apresentados aos demais personagens, além de Simone e Rasmus (Lucas Lynggaard Tønnesen), em pequenos flashbacks. Contudo, quase nada é falado sobre a causa de tudo. Que é o lado ruim. Porque vira e mexe eles mencionam isso. Sendo que é algo que nem precisava ser de fato explorado. The Rain poderia muito bem ser mais um seriado, ambientado num mundo pós-apocalíptico, onde o que importa é a sobrevivência e ponto. Algo que é feito de modo inteligente no filme Um Lugar Silencioso, por exemplo. Não há qualquer explicação sobre as criaturas e isso só acrescenta à trama.

O que infelizmente, não acontece aqui. Toda essa incerteza de qual é o ponto principal, acaba entregando motivações fracas. Sem propósito. Porque nem os personagens sabem o que devem fazer. Apenas seguem em frente. Onde cada um deles tem um ideal particular do que seria uma boa vida depois da epidemia.

Por isso o inimigo silencioso em The Rain acaba sendo além da própria natureza, as escolhas de cada uma dessas pessoas. São os erros, muitos pautados em burrice, que os colocam em problemas. Porém, o não diálogo é que incomoda mais. Por mais que sejam jovens. Falta uma comunicação maior entre eles e que por ventura iria facilitar o espectador a entender mais sobre o que está acontecendo. Mas eles estão tão preocupados em comer, que deixam de lado outras razões que estão relacionadas ao mundo. Não questionam Simone e nem sua relação com Apollon. Por mais relutante que ela estivesse, não voltam para o assunto. Enquanto ela puder providenciar comida, tudo bem. E isso é muito fraco, ainda que em um mundo pós-apocalíptico.

CONCLUSÃO

Vale então a pena assistir The Rain? Depende. Embora essa premissa de que a natureza é a culpada, onde o vírus transmitido pela chuva seja um fator relevante. O mesmo não pode ser dito pela forma que o enredo é conduzido.

Fazem apontamentos que são quase nada explorados. Cria-se um mistério acerca da chuva ter se tornado letal e só vemos a explicação real nos minutos finais da série. E a explicação vem de um personagem que apareceu poucas vezes e só por tela, não interage pessoalmente com ninguém. Dando a impressão de certo amadorismo na construção do roteiro. Como se não soubesse onde encaixar o quê.

Fora isso, a escolha dos atores jovens para o elenco foi bem acertada. Nada de nomes muito conhecidos. Todos bem crus em termos de atuação, para entregar uma performance mais real. De pessoas perdidas numa situação bem extremista.

Assim sendo, vai depender da vontade do espectador em querer assistir a esse seriado. E só.

Ficha Técnica
Criador: Jannik Tai MosholtChristian PotalivoEsben Toft Jacobsen
Diretor: Kenneth Kainz, Natasha Arthy 
Elenco: Alba August, Lucas Lynggaard Tønnesen, Mikkel Boe Følsgaard, Lukas Løkken, Jessica Dinnage, Sonny Lindberg, Angela Bundalovic, Lars Simonsen, Iben Hjejle, Johannes Kuhnke
Duração: 1 temporada com 8 episódios