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[Times Magazine] O poder revolucionário do Pantera Negra

[Times Magazine] O poder revolucionário do Pantera Negra

OBS: O artigo foi traduzido livremente a partir da matéria original que pode ser lida aqui

Prestes a estrear nos cinemas mundiais, o filme do Pantera Negra tem feito história. E com entrevista de Jamil Smith para a revista Times, é a primeira vez que um herói da Marvel Studios figura a capa.

O jornalista começa sua matéria dizendo que a primeira vez que lembra ter visto um herói negro no cinema foi com Billy Dee Williams como o Lando Calrissian em O Império Contra-Ataca em 1980. Ainda que Lando não tivesse super poderes, ele controlava sua própria cidade.

Jamil segue dizendo que se por um acaso a pessoa que está lendo a matéria é branca, então não precisa se preocupar muito em se ver representado na grande mídia. Porque todo dia a cultura reflete infinitas versões nossas, sendo executivos, poetas, soldados, enfermeiras e assim por diante. As possibilidades que o mundo nos apresenta são inúmeras. Por um breve momento eles também puderam pensar assim com o Presidente Obama, mas que agora, a realidade é outra.

Para aqueles que não são brancos, as dificuldades são consideravelmente maiores. Não apenas para se verem representados na mídia como também em outras áreas da vida pública. Que mostre que a personalidade deles é multifacetada. E ter essa representação na tela grande não é benéfica apenas para os negros, como também para que outras pessoas possam compreender melhor quem ele são. E quando isso não ocorre, todos pagamos o pato.

E é por isso e tantas outras razões que Jamil considera Pantera Negra significante. O que para muitos pode parecer apenas mais um filme de super herói da Marvel é algo muito maior. Porque mesmo que não tenha sido lançado nos cinemas, sua marca cultural já se tornou histórica. Pois é um filme que mostra o que é de fato ser negro tanto nos Estados Unidos quanto na África e até mesmo no resto do mundo. Ao invés de desviar de assunto complicados como etnia e identidade, o filme cai de cabeça nesses tópicos e como afetam o dia a dia de uma pessoa negra.

Você tem filmes de super heróis que mergulham no drama e comédia. Mas esse filme aborda outro tópico importante como debater o que é ser de fato um negro de origem africana. Diz o diretor Ryan Coogler.

Nesse ponto Coogler tem em mãos o possível primeiro projeto com elenco majoritariamente negro de Hollywood. Onde desde o diretor, roteirista, compositor, atores e demais membros da equipe são negros. Ele reflete a importância da representação dessa cultura que já não era sem tempo. Pantera Negra vai provar a Hollywood que narrativas centradas em Afro-Americanos tem o poder de gerar audiência e lucro tanto quanto outros filmes. E mais importante ainda ao produzir tais filmes é mostrar que as vidas dos negros importam.

O jornalista então fala que tanta atenção acabou atraindo um grupo de trolls da internet que tentaram em vão derrubar a nota do filme no Rotten Tomatoes. Para depois mergulhar no nascimento do movimento dos Panteras Negras que coincidiu com o surgimento do personagem nos quadrinhos. E ressalta a diferença do T’Challa criado por Jack Kirby e Stan Lee. Não é qualquer um, é o soberano de uma avançada nação africana, extremamente inteligente e poderoso.

Você pode até dizer que essa nação africana é uma fantasia, mas temos a oportunidade de usar ideias reais, locais de verdade na África e também conceitos e colocar tudo isso em Wakanda. Uma grande oportunidade de desenvolver um sentido de identidade especialmente se você não possui qualquer conexão com o país, diz Boseman.

Jamil discorre mais sobre a ligação entre personagem e o movimento dos Pantera Negras até chegar a construção do vilão Killmonger onde Coogler diz que alguns fãs podem se incomodar pelo fato de tanto Michael e Chadwick serem negros e estarem lutando um contra o outro. E diz que talvez as pessoas falhem em entender que o maior conflito que alguém pode ter é com ele mesmo e que Killmonger e T’Challa são imagens refletidas um do outro. Fora que as pessoas precisam temer o vilão e ficar em dúvida se o herói pode vencer essa ou não. Porque sem isso, não se teria um filme.

O jornalista diz que Pantera Negra é bem mais do que um filme sobre um super herói negro. É basicamente um filme sobre negros. E que carrega um peso que nem Thor e nem Capitão América poderiam suportar: atender a uma audiência de negros que há tempos tem sido mal representada. Porque por muito tempo filmes onde a realidade não era ‘branca’ os negros foram jogados para o gueto, com foco em nichos de audiência para puro entretenimento, ao invés de ser parte do mainstream. Onde cita filmes como a franquia Barbershop do Ice Cube. Mas, nos últimos anos, outros filmes como Corra! surgiram e despontaram nas bilheterias. Provando que filmes que possuam atores negros, com temática pertencente a essas pessoas, pode entreter tanto quanto um filme do Woody Allen e do Wes Anderson que não são vendidos exclusivamente como sendo “filmes para brancos”.

Mesmo sem ter estreado para o público, Pantera Negra está fazendo sucesso e isso é graças a Nate Moore, um produtor executivo da Marvel Studios que sempre advogou a favor de incluir personagens negros nos filmes da Marvel. Indo além de Wakanda, as questões sobre poder e responsabilidade, não vão se aplicar somente aos personagens do filme. Uma vez que chegue nos cinemas, vai derrubar muitas barreiras, como é o esperado. Fazendo com que Hollywood reconheça que filmes assim são possíveis e eles passem a ser aprovados com mais frequência.

Sei que as pessoas [da indústria do cinema] vão ver o filme e se inspirar. Mas isso também vai depender das pessoas em posições favoráveis que estejam dispostas a abrir portas e comprar a ideia. Como isso vai acontecer? Como podemos ser representados de uma forma a nos tornar inspiradores? afirma Boseman.

A importância de Pantera Negra é algo sem precedente que parece surreal. As pessoas estão tão empolgadas que estão organizando festas de pré e pós filme, tanto os novos como os antigos fãs. Há uma série de iniciativas para levar crianças negras de comunidades carentes para ver o filme. Inclusive a própria atriz Octavia Spencer se comprometeu a alugar uma sala de cinema em Mississippi para que as crianças carentes de lá possam ir assistir Pantera Negra no cinema.

Muitos militantes negros dos direitos civis já foram imortalizados no cinema em filmes como Malcom X, Selma e Estrelas Além do Tempo. Mas o Pantera Negra é diferente. Porque ele é a nossa melhor chance para que pessoas de todas as etnias possam contemplar um super herói negro. E isso é ter seu próprio super poder.