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“Tomb Raider: A Origem” tem muitos furos de roteiro

“Tomb Raider: A Origem” tem muitos furos de roteiro

Mais uma adaptação de games. Mais um filme de aventura desenfreada. Tomb Raider: A Origem diverte, porém, não consegue fugir dos problemas de roteiro.

Os filmes baseados na franquia de games da Lara Croft e lançados no início dos anos 2000 traziam Angelina Jolie no papel principal. Ela cumpria à risca (ou quase para alguns) os requisitos para preencher bem o papel da personagem que povoou por anos a mente dos jogadores. Todavia, os filmes desviaram por completo da essência do jogo utilizando a Lara Croft apenas para viver uma história de aventura arqueológica. Tal qual Indiana Jones, já que a comparação torna-se impossível de não ser feita.

Mas aí a Square Enix decidiu rebootar a personagem em 2013 onde a Lara Croft tomou feições mais humanas, menos poligonais e com uma certa inexperiência dentro desse mundo de exploração. O game foi bastante elogiado, tanto pelos críticos especializados da área quanto pelos fãs. Não a toa levou o prêmio Game of the Year, o maior prestígio que um jogo pode obter. E é justamente baseando-se nesse game e no que veio a seguir que Tomb Raider: A Origem reside.

Só que se já é difícil transpor páginas de livros ou quadrinhos para a tela de cinema, que dirá de um game? Onde grande parte da experiência provém do usuário ali desfrutando do mesmo. Complicado. E justamente por isso, o maior erro de Tomb Raider: A Origem está na construção do roteiro.

A personagem de Lara Croft vivida dessa vez pela oscarizada Alicia Vikander opta por decisões duvidosas durante toda a película a fim de dar prosseguimento à história. Sem entrar em muitos detalhes, para não correr o risco de soltar spoilers, a protagonista toma as decisões mais dúbias apenas para cair em armadilhas a fim de prover a experiência do jogo ao espectador. Pois, a cada passo errado, ela executa o mesmo estilo de movimentos realizado pela personagem nos games. Quase como se fosse o espectador a apertar a sequência de botões a fim de que Lara complete a ordem correta dos movimentos. Seja para se pendurar em uma corda, balançar numa escada em meio a tempestade ou pisar nos lugares certos e não cair em um abismo. Tudo isso, essas sequências, parecem retiradas diretamente do jogo o que é algo positivo. Dando a sensação de que se trata mesmo de um filme do gênero. Contudo, não consegue abstrair a mente do espectador mediante aos problemas do roteiro.

E Vikander se esforça bastante para tal. A atriz foi uma escolha sábia para o papel, pois sua caracterização ficou longe daquela feita por Jolie e ela acrescenta uma certa humanização à Lara Croft. Em especial ao sofrer tanto para concluir algumas cenas e sequências. Demonstrando habilidades físicas, que foram justificadas no início do longa, mas inaptidão para lidar com situações de sobrevivência. Tal qual acontece no original.

Outro problema de Tomb Raider: A Origem é a trilha sonora. Pode parecer bobagem para alguns, mas aqui, com cenas tão intensas o tempo todo, a escolha de uma trilha mais dramática acaba por tirar um pouco da atenção do espectador. Não há uma fluidez na inserção da música, dando mais ênfase para sons altos demais como explosões, tiros, gritos sendo que do outro lado, não é quase possível ouvir barulhos mais baixos. Sejam eles os passos dos personagens, as folhas e galhos se mexendo com o vento, e outros sons comuns que devem parte da sonoplastia de um filme.

Não cheguei a jogar esse título em específico, portanto, não posso afirmar o quão parecido Tomb Raider: A Origem está com seu material base. O que é possível apontar são as falhas que se tornaram rotina na hora de adaptar games para a telona. O desequilíbrio entre apresentar cenas similares as que acontecem no jogo e esquecer de elaborar um roteiro mais pontual e que possua a essência do original. Que é a falha de Tomb Raider: A Origem. O filme diverte, mas pede que o espectador não pense muito. E isso nunca é uma escolha válida.

Ficha Técnica 
Diretor: Roar Uthaug 
Roteiro: Geneva Robertson-Dworet, Alistair Siddons
Elenco: Alicia Vikander, Dominic West, Walton Goggins, Daniel Wu, Kristin Scott Thomas, Derek Jacobi, Alexandre Willaume, Tamer Burjaq, Adrian Collins, Keenan Arrison, Adrian Mazive, Milton Schorr, Hannah John-Kamen, Peter Waison, Samuel Mak
Duração: 1h58min