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“A Torre Negra” está longe do que era o esperado

“A Torre Negra” está longe do que era o esperado

Você assiste um trailer e passa o ano inteiro germinando um hype imenso. Então chega a bendita data de lançamento e no meio da projeção, o sono vem… Tem alguma coisa errada ai.

A Torre Negra, filme baseado nos livros do autor Stephen King deixa muito a desejar. Não digo isso por conhecer a história original e ter um mínimo de conhecimento sobre o assunto.

O filme é fraco como um filme, em geral, e é isso.

A trama é arrastada, cheia de clichês visuais que não são tão bem realizados. Personagens rasos que não passam empatia nenhuma, coadjuvantes descartáveis e bons atores muito mal utilizados, somado a uma direção sem ousadia e que faz um filme que tinha tudo para ser um dos melhores do ano, tornar-se esquecível minutos depois de seu término.

Uma única coisa efetiva nessa questão foi um mantra (que é apresentado exageradamente dentro da história) e que fica martelando na sua mente o tempo todo, mas também não é nada que dure por muito tempo e logo é esquecido.

Walter (Matthew McConaughey) e Roland (Idris Elba)

O filme passa brevemente sobre a vida dos personagens chaves da trama. Um pistoleiro badass todo marrento (Idris Elba), que tem a missão de proteger a Torre Negra, uma construção que existe desde a criação do universo, que tem como objetivo guardar esses mundos contra forças externas. Porém, Roland Deschain, o Pistoleiro, desiste de seus deveres quando todos os seus companheiros são mortos por um poderoso feiticeiro conhecido como Homem de Preto.

Walter, O Homem de Preto (interpretado no automático por Matthew McConaughey) não tem motivação alguma. Não apresenta uma razão do porquê agir como é apresentado. Muito menos possui uma origem para mostrar se ele é uma criatura única, um ser divino, uma pessoa comum que conseguiu se tornar poderoso… Ele é simplesmente “O Feiticeiro”. E ponto. Seu personagem é raso e o único motivo dele querer destruir a Torre Negra é porque ele é mau, e quer reinar em um mundo infestado de demônios e destruição.

Enfim chegamos ao personagem principal.

Na trama a única coisa que pode ferir a Torre Negra são as mentes de algumas crianças sensitivas. No mundo-chave, como é chamado a representação da realidade como conhecemos. Jake Chambers (Tom Taylor) é um menino que vem sonhando com pessoas e lugares que não são comuns. Transpondo todas essas imagens em desenhos, sua família trata o garoto como se ele sofresse de algum transtorno de estresse pós-traumático, causado pelo acidente que resultou na morte de seu pai.

Obviamente Jake é um poderoso sensitivo, o que chama a atenção do Homem de Preto, que pretende usá-lo para destruir a Torre. Mas o garoto decide se juntar ao Pistoleiro para dar fim aos planos do vilão.

Jake Chambers (Tom Taylor) e Roland (Idris Elba)

Claro que não é um filme de todo ruim. Tem o seu charme.

Se a produção tivesse sido realizada nos anos 80 e passado na televisão aberta repetidas vezes nos anos 90, como, por exemplo: na Sessão da Tarde, claro, que teria gerado um furor. Haveria uma legião de fãs que ao assistir ao filme até hoje iriam se maravilhar pela nostalgia apresentada pela trama de ação fantasiosa, totalmente datada de sua época.

Mas não é assim! É um filme de 2017, século 21, onde mais uma vez os produtores preferiram dedicar grande parte do orçamento para a realização de efeitos especiais, pós-produção e nomes de peso, do que trabalhar naquilo que é o alicerce que toda boa história no cinema realmente precisa ter: Direção e Roteiro. Uma pena.