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“Vende-se Esta Casa” não funciona nem como clichê!

“Vende-se Esta Casa” não funciona nem como clichê!

A eterna busca por inovação, se não usada de forma coerente, muitas vezes pode prejudicar mais do que escolher usar aqueles bons e usuais conceitos batidos. Ser um clichê não é de todo ruim. Clichês funcionam. Não é o caso de Vende-se Esta Casa (The Open House).

A história começa nos apresentando Logan Wallace (Dylan Minnette) um jovem atleta com um tempo de corrida tão promissor que sua meta são as Olimpíadas. Porém, seus olhos não seguem o bom condicionamento físico do resto do corpo. Sem seus óculos e lentes, ele não enxerga muito mais que borrões a sua frente.

Seus pais Naomi (Piercey Dalton) e Brian (Aaron Abrams) se encontram em uma situação delicada de dinheiro e isso vem sendo um problema em relação à família. Certa noite, pai e filho decidem ir ao mercado pegar alguns suprimentos que  estão em falta em casa. Ao voltar com as compras para o carro, são surpreendidos por um veículo em alta velocidade.

Sem condições de manter a economia da família sozinha, Naomi muda-se com o filho, para uma casa nas montanhas. Uma casa à venda, que pertence à sua irmã, porém, mobiliada e apta para moradia. O único problema são as visitações de possíveis novos compradores todos os domingos. Fazendo com que os dois moradores temporários tenham que passar um dia inteiro afastados da residência.

O clima de “suspense” que tenta se impor não condiz com o ritmo que o filme traz. A fotografia faz seu papel. É claramente um filme bonito de se ver, mais pelo local em que é filmado, do que pela maestria dos envolvidos. A trilha sonora vem com aqueles altos e baixos, de uma fórmula que já perdeu o charme. Te pressiona fazendo pensar que algo vai acontecer e quando se prepara para um jumpscare, o tédio volta a reinar.

Logan e sua mãe tentam lidar, cada um a sua maneira, com o luto. Você não sente a dor da perda vinda de nenhum dos dois lados. A forma abordada por eles chega a soar infantil. Os dias de visitação na casa trazem uma grande tensão aos dois. Coisas começam a sumir, barulhos que acontecem a noite, o chuveiro que desliga sozinho e por aí em diante.

Os dois logo começam a questionar se não existe alguém que aproveitou o dia da visitação para entrar e se manter dentro casa. Aqui é o grande ápice do filme, onde tudo deveria acontecer, mas não acontece.

Personagens coadjuvantes são apresentados de forma forçada e banal, para que depois eles possam ser usados como meio de confundir ou de te fazer pensar que eles são os verdadeiros causadores do problema. E poderiam ser, não é? Mas, o filme nos leva a soluções muito medíocres e sem sustentação nenhuma, apenas com o intuito de inovar na relação do gênero.

Não apresentar motivos, não revelar intenções, funciona quando se tem em plano de fundo. Uma história que consiga te prender e te levar a procurar suas próprias respostas. Mas em um roteiro raso como esse, ter respostas é a única coisa que te mantêm assistindo o filme até o fim. Só que essa nem de longe é a solução do enredo.

Vende-se Esta Casa é um filme totalmente esquecível. Não chega a ser tão ruim, que você vai implorar pelo seu tempo perdido de volta, mas com certeza, vai te deixar com uma grande frustração.

Se leu até aqui e ainda está se perguntando qual é o objetivo desse filme? É sobre assalto, assassinato, vizinhos estranhos, cidade assombrada, casa maldita, espírito vingativo,“serial killer”, drama familiar, superação esportiva, sobrevivência… Sinceramente, também não sei.

Ficha Técnica
Diretor: Matt Angel, Suzanne Coote
Roteiro: Matt Angel, Suzanne Coote
Elenco: Dylan Minnette, Pierce Dalton, Patricia Bethune, Sharif Atkins, Aaron Abrams, Edward Olson, Katie Walder, Pau Rae, Leigh Parker, Kathryn Beckwith, Matt Angel, Ethan Cushing, Suzanne Coote 
Duração: 1h34min