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“A Vigilante do Amanhã” transforma a distopia japonesa em drama americano

“A Vigilante do Amanhã” transforma a distopia japonesa em drama americano

Não é de hoje que os live actions têm caído no gosto do público. A arte de reproduzir as histórias das animações com “pessoas de verdade” já rendeu ótimas adaptações… E alguns verdadeiros fracassos também. Mas, embora os estúdios estejam apostando cada vez mais nesse tipo de remake, ainda não é uma prática comum quando se trata de animes (no grande universo Hollywoodiano). Mas talvez, Ghost in The Shell – A Vigilante do Amanhã tenha chegado para mudar esse cenário.

O filme que é estrelado por Scarlett Johansson chega aos cinemas para reviver a história da Androide Major Mira Killian. A história foi originalmente lançada em formato de mangá no final da década de 80, mas sua grande notoriedade veio a tona com a versão do longa metragem em formato de animação lá em 1995. Desde então o universo CyberPunk que acompanha o drama de Major conquistou milhares de fãs e se tornou um clássico da animação japonesa.

A história segue a ciborgue criada pela corporação Hanka a partir de um cérebro humano. Ela então passa a ter lapsos de memórias relacionados a seu passado, o que a leva a fazer questionamentos a respeito de sua criação e origem. Na busca por respostas, Major acaba se deparando com o universo consternado do criminoso Kuze, vivido por Michael Pitt.

O filme garante boas doses de ação e uma atuação dramática por parte de Johansson. Sua diferença com relação ao longa de animação está, principalmente, na maneira mastigada como as coisas são esclarecidas e apresentadas ao espectador. E também no seu enredo que é bem menos filosófico. Na versão original vemos um debate muito mais profundo acerca da inserção da tecnologia no mundo humano. Todavia, essa versão Hollywoodiana, como não poderia deixar de ser, transforma tudo em uma grande luta cibernética do bem contra o mal. O que, felizmente, não tira a beleza estética do filme. O universo recriado teve muito cuidado para fazer as devidas referências ao original.

E embora o elenco principal seja o clássico caucasiano/americano, a participação de atores orientais na trama diminui a estranheza dos fãs. A presença do ator Takeshi Kitano como o chefe Aramaki, por exemplo, foi uma das sacadas mais inteligentes do filme para conseguir ambientar a história e conquistar o público fiel do anime: Aramaki só fala em japonês durante a trama e todos entendem o que ele está falando e respondem em inglês. Além disso, o filme tem excelentes cenas de ação, embora não sejam de tirar o fôlego (exceto a luta na água entre Mira e o ciborgue hackeado, que é uma das sequências mais bonitas do longa). Johansson encara bem a heroína japonesa, como já era de se esperar, atribuindo a ela a dramaticidade necessária, mas sem esquecer que se trata de um ciborgue.

A beleza das cenas é um fator indiscutível. A gueixa androide no corredor branco, uma das primeiras amostras que apareceu na mídia a respeito do filme, é só um aperitivo das lindas sequências que se seguem no decorrer de A Vigilante do Amanhã. O filme merece ter reconhecimento. E é sem dúvidas uma adaptação respeitosa do clássico japonês, porém ainda está longe de ser uma produção ousada, mesmo para os padrões de Hollywood.