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“Viva – A Vida é uma Festa” reforça o valor dos laços familiares

“Viva – A Vida é uma Festa” reforça o valor dos laços familiares

Para alguns a família é tudo. É o pilar de sustentação. Continuam sempre presente, mesmo depois de partir. É com essa premissa que Vida: A Vida é uma Festa dá início a sua jornada.

Embarcando na tradição mexicana de Dia de Los Muertos, a animação dirigida por Lee Unkrich e Adam Molina leva o espectador para o além túmulo quando o jovem Miguel (Anthony Gonzalez) vai parar lá por engano. E tudo isso porque ele queria tocar violão. Só que a música foi banida de sua família por gerações e quem sabe agora, consiga se livrar dessa “maldição”.

Bem, não é exatamente uma maldição. A música foi banida depois que seu tataravô saiu porta afora para tentar o sucesso e nunca mais voltou. Desde então, Mamá Imelda (Alanna Ubach) teve que se virar com uma filha pequena e criou assim o ofício que sustenta a todos na família: confeccionar sapatos. Mas Miguel quer mais. Quer o que seu tataravô queria. Cantar e tocar violão. Duas coisas que não podem ser mencionadas na família. Três se contar com a referência ao tataravô de Miguel. Porém sua Abuelita (Renée Victor) tenta impedir que ele siga pelo mesmo caminho e é quando Miguel foge e vai parar no além vida.

Viva: A Vida é uma Festa navega com maestria por tradições mexicanas levando o espectador a se encantar com o que vê tal qual Miguel. Entretanto, mais do que contar uma história num dia que se tornou mundialmente famoso, a animação vai mais longe; explora os laços familiares que comumente existem em famílias latinas. Onde é preciso respeitar as tradições e os ensinamentos dos mais velhos e não contestá-los. Onde uma história, seja ela boa ou ruim, é passada por gerações a fim de que o sentimento nutrido nela contido permaneça vivo. Como a história de não poder música na família Rivera. Não existe o famoso “por que não?”. Se a Mamá disse, então está dito.

Mas família não é unilateral. As tradições não vem de um lado só, são uma mistura. Miguel é o claro resultado disso. Enquanto seus tios e primos, até mesmo seus pais, se contentam em fazer sapatos o garoto não se conforma. Qual o sentido em levar uma vida fazendo algo por obrigação? Só porque a tradição ordena?

Os conflitos aqui são muitos, em especial de geração. Aquela velha história de que a mudança é mais difícil para os adultos. Não por serem teimosos, mas sim pela experiência em não aceitar tão bem o diferente. Como que Abuelita poderia deixar Miguel tocar violão quando aprendeu com a avó que era errado? Que a música quase arruinou a família e por isso eles faziam sapatos. Não é uma questão de certo ou errado. É uma questão de vivência. E mesmo quando o garoto encontra Mamá Imelda no além vida, ela não quer dar o braço a torcer. Não quer aceitar que o tataraneto seja como seu marido. De novo, família não é unilateral. Há sempre dois lados em toda história. Aqui não é diferente.

Ao passo que Miguel encontra o tataravô e tenta com ele a benção para então retornar ao mundo dos vivos, outros desdobramentos fazem o menino pensar no que de fato importa. Será que é tão importante a música se isso for mais uma vez arruinar sua família? Quais sacrifícios estaria Miguel disposto a fazer por eles? E quais sacrifícios eles estariam dispostos a fazer por Miguel?

A animação é divertida, com personagens bem construídos, repleta de canções vibrantes e prende a atenção do espectador desde o primeiro instante ao apresentar um mundo o qual sabemos muito pouco sobre.

Viva: A Vida é uma Festa peca apenas na tradução de seu título. Grande, exagerado e que em nada remete a animação em si. A festa aqui não é sobre a vida, mas sim sobre a família. Por isso Coco, o título original, é tão crucial para a trama. Sua simplicidade é o que traduz o significado da animação: família é a base de tudo. E por eles estamos dispostos a mudar.

Ficha Técnica
Diretor: Lee Unkrich e Adam Molina (co-diretor)
Roteiro: Adrian Molina e Matthew Aldrich
Elenco: Anthony Gonzalez, Gael García Bernal, Benjamin Bratt, Alanna Ubach, Renee Victor, Jaime Camill, Alfonso Arau, Herbert Siguenza, Gabriel Iglesias, Lombardo Boyar, Ana Ofelia Murguía, Natalia Cordova Buckley, Selene Luna, Edward James Olmos, Sofía Espinosa
Duração: 1h45m