A metáfora da puberdade em Red: Crescer é uma Fera

De fato, a puberdade é um marco na vida do ser humano. A partir dela tem início diversas mudanças tanto corporais, como de comportamento também. A não ser que você não seja uma menina. Afinal, mesmo antes da puberdade, somos cobradas demais. Ser mais madura, inteligente, educada, estudiosa, dedicada, sensível e por aí vai. Tais cobranças pioram quando somadas às expectativas que os pais tem sobre nós. Essa projeção fica muito clara em Red: Crescer é uma Fera.

Meilin é uma menina empenhada em agradar sua mãe. Aluna dedicada, se esforça bastante para ser a melhor da escola e estar sempre no topo. Porém, ela também é uma adolescente e que quer poder fazer as mesmas coisas que outras meninas da sua idade fazem. Como ir ao karaokê com as amigas ou paquerar. No entanto, suas tardes após a escola são preenchidas com o trabalho de assistente no templo da família em Toronto. Lá, ela e a mãe são responsáveis por guiar os turistas e ensinar a história de Sun Yee e o panda vermelho.

A menina leva praticamente uma vida dupla. Na escola e com as amigas ela age de uma forma e com os pais de outra. Tudo para não desagrada-los, em especial sua mãe. Só que tudo muda quando ela é proibida de ir no show do 4-Town, a sua banda preferida. Desse momento em diante, a vida de Meilin vai mudar por completo.

A mãe tigre

É um termo usado para explicar a forma de educação mais rígida da cultural oriental. Tem foco em excelência acadêmica e foi muito relatada no livro de Amy Chua. Sendo assim, é possível identificar o mesmo comportamento por parte de Ming, mãe de Meilin em Red: Crescer é uma Fera.

A princípio, todo esse zelo parece ser algo natural, pois é um traço conhecido da cultura oriental. Mas, conforme a trama se desenrola, vemos outras camadas surgirem e como Ming está de fato projetando uma situação na própria filha.

Red: Crescer é uma fera

Ainda que isso seja algo inerente à cultura, as cenas iniciais em família chegam a incomodar em alguns momentos. Pois é um tanto desconfortável a forma como Meilin não tem voz ou opinião dentro de casa.

Toda essa cobrança e necessidade de perfeição faz com que ela precise fingir ser outra pessoa na frente dos pais. Não tem espaço para experimentar coisas novas, descobrir quem é, nem dentro do próprio quarto. Privacidade é algo inexistente em sua casa. Logo, é natural que ela veja a transformação em um panda vermelho como algo positivo. A oportunidade perfeita de vivenciar coisas não permitidas.

A metáfora da puberdade

Ou seja, é nesse instante que o panda vermelho faz todo sentido para o filme. Pois, ao se transformar no animal, significa que ela atingiu a puberdade e está deixando de ser uma criança. E essa é uma virada de chave e tanto na vida de qualquer mulher.

Ser esse panda proporciona à Meilin não apenas um turbilhão de emoções, como também mais confiança em si mesma. Mais do que isso, uma chance de ouro de se livrar de vez das expectativas de sua mãe e descobrir quem ela é ou quem ela quer ser. E é aqui que Red: Crescer é uma Fera captura o coração do espectador.

Do dia em que se transforma, todas as ações de Meilin são vividas intensamente. Ela decide aproveitar cada segundo dessa “maldição” para ser quem sempre quis e estar ao lado de suas amigas. Desse modo, o espectador pode acompanhar o amadurecimento da protagonista enquanto ela vive a melhor fase da sua vida. E todas são pautadas de bastante exagero, caras e bocas, risadas e confidências, tal qual qualquer grupo de melhores amigas adolescentes.

Elas se apoiam, se ajudam, puxam uma a orelha da outra, mas permanecem unidas e dão forças à Meilin por conseguir enxergar quem ela é de verdade. Todas as cenas das quatro juntas são ótimas, engraçadas e fáceis de criar ligação, caso você tenha sido uma adolescente no começo dos anos 2000.

Conclusão

Red: Crescer é uma Fera soube pegar uma situação real e transformá-la numa metáfora para a animação a ponto do espectador entender todas as nuances que é enfrentar uma puberdade. Seja você uma criança ou um adulto. Além disso, tem todos os conflitos geracionais tão bem ilustrados e que são atemporais. É uma animação gostosa de assistir que vai te deixar com um sorriso no rosto e o coração saudoso por tempos mais simples e que não voltam mais.

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FICHA TÉCNICA
Direção: Domee Shi
Roteiro: Domee Shi, Julia Cho, Sarah Streicher 
Elenco: Rosalie Chiang, Sandra Oh, Ava Morse, Hyien Park, Maitreyi Ramakrishnan, Orion Lee, Tristan Allerick Chen, Lori Tan Chinn, Mia Tagano, Sherry Cola, Lillian Lim, James Hong, Jordan Fisher, Finneas O'Connell, Topher Ngo, Grayson Villanueva, Josh Levi, Sasha Roiz
Duração: 1h40min

Melissa Andrade

Jornalista, Crítica de Cinema há mais de 10 anos, Podcaster, extremamente curiosa, com incontáveis pequenos conhecimentos em diversas áreas e Marvete com orgulho!

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