As atuais protagonistas da Marvel Now!

Adentrei esse mundo dos quadrinhos tem pouco tempo. Dois ou três anos, talvez. E ao navegar entre os dois maiores selos – DC e Marvel Comics – reparei no abismo que existe entre eles com relação ao protagonismo feminino.

É preciso deixar claro que esse abismo mencionado não significa que o protagonismo feminino exista em um e não no outro. Não é isso. Mas sim, que nesse caso, há um foco editorial bem maior em relação as protagonistas femininas por parte da Marvel Comics do que ocorre na DC Comics. A Marvel recentemente retornou com o selo Marvel NOW! e com isso lançou diversos títulos solo com suas heroínas e antagonistas no final de 2015 e que continua em 2017.

Enquanto que a DC Comics com sua linha Rebirth está se preocupando em manter a essência de seus personagens mais populares e não criar nada além daquilo que os fãs conhecem e preferem consumir, sem ter que apresentar tantos títulos novos, a Marvel Comics decidiu ir por um caminho inverso e aumentar a linha editorial a fim de alcançar uma fatia em constante crescimento nesse mercado: o público jovem feminino.

De acordo com o site Graphic Policy – que costuma fazer gráficos sobre o consumo de quadrinhos nos Estados Unidos e na Europa todo mês tendo como métrica alguns dos termos mais utilizados no Facebook – atestou que enquanto a fatia de homens falando sobre quadrinhos permaneceu a mesma no mês de Fevereiro (uma média de 51.35%), sem qualquer alteração, a fatia de mulheres comentando sobre o mesmo assunto cresceu nesse mês de Março passando de 47.22% para 48.65%, totalizando assim mais de 1 milhão de novas meninas na qual a grande maioria está abaixo dos 18 anos.

O que muito é refletido em alguns dos títulos protagonizados por mulheres na Marvel, nos quais, ao menos a metade deles tem heroínas que estão numa faixa etária entre adolescente e jovem adulta como Kamala Khan, America Chavez, Riri Williams, Gwen Stacy e até mesmo a Lunella, para citar algumas.

Alguns podem alegar que tal escolha acabou influenciando de forma negativa no conteúdo do material e que não há tanto empenho por parte dos roteiristas criando assim tramas mais rasas, o que não é verdade.

Como apontado acima, existe não apenas um estudo claro de qual é o público-alvo deles, como também quais histórias seriam mais relevantes para cada título e, consequentemente, que mais chamaria atenção das novas leitoras. O que não impede que outras pessoas, fora desse estudo, se interessem pelas revistas. Afinal, não é nada obrigatório, mas sempre bom explicar que qualquer produto lançado no mercado, independente de qual nicho seja – livros, filmes, seriados, programas de televisão, roupas e etc – possuem um público-alvo específico.

Logo, pensando nesse novo público a Marvel NOW! conta atualmente com 20 títulos com mulheres protagonistas enquanto a DC Comics, infelizmente, não chega nem na metade desse número.

Por isso, dentre tantos títulos, decidi destacar 7 os quais tenho acompanhado com regularidade e que merecem atenção.


JESSICA JONES #1 (Outubro/2016)

Bem provável que graças ao sucesso da série o selo tenha optado por relançar o quadrinho. Jessica Jones esteve recentemente presa e acabou caindo em desgraça, tornando-se uma pária na comunidade de heróis. Se afastou inclusive do marido, Luke Cage, levando a filha junto e não avisando para ele o local da nova moradia. Decide então retomar seu trabalho na pequena empresa de Investigação Alias, mas não consegue nem seguir com a missão incubida pela nova cliente pois é sequestrada em plena luz do dia é obrigada a partilhar informações com uma mulher que nunca viu na vida, mas que sabe bastante a seu respeito e de outros heróis também.

A HQ vem com um aviso de que não é para crianças e é uma das poucas, se não a única, a figurar esse aviso. Seus criadores Brian Michael Bendis e Michael Gaydos retornam para dar voz e vida à personagem e os tumultos que vão envolver esses bastidores dos heróis, tendo em vista que Jessica nunca foi dada a trabalhos em equipe.


MIGHTY CAPTAIN MARVEL #1 (Janeiro/2017)

Depois do que aconteceu em Guerra Civil II, Carol Danvers precisou se afastar do mundo terreno ao perder amigos, aliados e um amor e passa a maior parte do seu tempo no Comando Alpha Flight que monitora qualquer tentativa de invasão alienígena a Terra. Contudo, não vai ter a paz que necessita tão cedo. A começar, para poder financiar o Comando Alpha Flight se viu obrigada a protagonizar uma série de televisão, algo o qual ela tem verdadeira repulsa. Em contrapartida, existe uma invasão Chitauri se aproximando da Terra e ela precisa encontrar uma forma de impedi-los enquanto protege uma criança Kree que está sendo caçada.

Essa é a nova HQ da Capitã que teve início logo após o arco de Guerra Civil II e mostra a heroína tentando convencer a todos – e principalmente a si mesma – que teve a melhor das intenções e não pretendia colocar o Homem de Ferro em coma.


HAWKEYE #1 (Dezembro/2016)

Bem, desde que matou o Hulk o Gavião Arqueiro foi acusado, processado e solto e vive seus dias como vigilante comum cuidando daqueles menos afortunados, nada de super-vilões em Occupy Avengers, outra HQ excelente. Logo, sobrou para Kate Bishop vestir a roupa e investigar acontecimentos misteriosos em Venice Beach. Seu primeiro caso é sobre uma estranha seita que está se formando no campus da universidade local e que parece mexer quimicamente com o cérebro dos estudantes obrigando-os a seguirem ordens sem questionar nada. Katie cai de paraquedas no meio de uma reunião ao tentar encontrar sua cliente que está desaparecida e desde então vem sendo caçada por eles.

Não sabia que o Hawkeye tinha uma discípula e tenho achado a revista divertida e com personagens bem construídos, habitando esse mundo de jovens adultos na faculdade descobrindo como funciona a vida. Kate tem um humor mais sarcástico e que funciona como muleta quando ela não sabe o que deve responder.


GAMORA #1 (Dezembro/2016)

Hã? Como assim a Gamora ganhou uma revista solo? Na verdade, essa não é a pergunta certa, que deveria ser porque ela não foi lançada antes?

A revista se passa antes dela se tornar membro dos Guardiões da Galáxia, quando ainda estava sob a tutela de Thanos e sendo treinada pelo próprio juntamente com sua irmã adotiva Nebula. Seu povo sofreu genocídio nas mãos dos Badoon e então ela se tornou a última Zen-Whoberis. Agora, Gamora quer vingança e decide ir atrás de todos da raça Badoon nem que para isso precise viajar para outros planetas e contrariar Thanos.

Quem assina o roteiro é Nicole Perlman que tem co-escrito com James Gunn os roteiros para os filmes dos Guardiões da Galáxia. Os artistas Marco Checchetto e Andres Mossa os responsáveis por criar uma arte tão delicada, com cores suaves, em tons pastéis e que acaba contrastando tão bem com toda a violência apresentada.


INVINCIBLE IRONMAN #1 (Novembro/2016)

E para quem reclamava da “substituição” do Homem de Ferro pela Iron Heart não faz ideia do contexto no qual a personagem está inserida. E como não é nada fácil calçar as botas do Tony.

Riri Williams não almeja ser ‘O Homem de Ferro’ e nem o Tony Stark. É o próprio quem a aborda oferecendo ajuda para que ela consiga construir sua armadura quando algo acontece e ele entra em coma. Agora, usando de uma inteligência virtual muito similar ao Jarvis, mas que na verdade é a própria mente do Tony, Riri tem um tutor para lhe guiar durante futuras missões e vai poder contar também com Pepper para entender melhor como funciona essa história de ser uma heroína.

Foi o próprio Tony quem escolheu a garota, tendo em vista que ela é atualmente uma das mentes mais inteligentes da Marvel Comics. Só que o que sobrava de confiança e determinação em Tony, falta um pouco em Riri que após alguns acontecimentos trágicos torna-se uma pessoa bastante reclusa, e é onde decide cair de cabeça nesse projeto da armadura.


AMERICA #1 (Março/2017)

Nada de Young Avengers. Nem líder dos Ultimates. Chegou a vez de America Chavez ter sua própria revista e fazer jus a uma fatia que não se sente nada representada. Miss America, seu nome de heróina, é filha de duas mães e tem Loki como mãe adotiva. É isso mesmo. Além disso é gay e mesmo sendo americana, possui um tom de pele mais amarronzado (descrito como brown nas referências internet afora) e parece ser mais latina lembrando atrizes como America Ferrera e Gina Rodriguez.

Em sua revista solo America se vê meio sem rumo, com amigos distantes – Kate Bishop se mudou para a costa leste – e também sem a companhia da namorada que não embarca na aventura e decide testar sozinha a experiência máxima americana, que supostamente transforma, ou deveria, todos os jovens adultos em pessoas responsáveis e com respostas para tudo: a faculdade.

O roteiro é de Gabby Rivera que é uma famosa novelista YA e conta com arte de Joe Quinones, Joe e Paolo Rivera.


HULK #1 (Dezembro/2016)

Bruce Banner, o Hulk como conhecíamos, morreu em Guerra Civil II e Jennifer Walters sua prima ficou um bom tempo em coma e quando acordou não soube lidar com o destino de Bruce, desenvolvendo assim um transtorno de estresse pós-traumático que é comum em soldados que voltam da guerra e não mais consegue controlar seus poderes. Vive em uma constante situação de ansiedade extrema e tem procurado se dedicar mais aos seus clientes e assim não pensar naquilo que não consegue fazer. Porém, óbvio que mesmo não querendo os problemas vão bater na sua porta.

A She-Hulk que perdeu esse nome com a morte do Bruce e tornou-se apenas Hulk, é uma personagem muito interessante e que se assemelha ao Matt Murdock/Demolidor. Não apenas porque ambos são advogados, mas também porque possuem algumas atitudes parecidas. Talvez por isso goste tanto da personagem e tenha ficado contente ao descobrir sua revista solo que infelizmente sofre com traços simplórios.

Além desses 7 títulos que listei acima, os quais estou acompanhando regularmente, tem os outros 13 que também mencionei e que são: Mighty Thor (Nov/2015), Miss Marvel (Fev/2014), Unstoppable Wasp (Jan/2017), Silk (Nov/2015), Moon Girl and Devil Dinosaur (Nov/2015), Viúva Negra (Mar/2016), Feiticeira Escarlate (Dez/2015), Spider-Woman (Nov/2015), Spider-Gwen (Fev/2015), The Unbelievable Gwenpool (Maio/2016), The Unbeatable Squirrel Girl (Out/2015), All New Wolverine (Nov/2015), Patsy Walker, A.K.A. Hellcat! (Dez/2015).

Melissa Andrade

Jornalista, Crítica de Cinema há mais de 10 anos, Podcaster, extremamente curiosa, com incontáveis pequenos conhecimentos em diversas áreas e Marvete com orgulho!

4 thoughts on “As atuais protagonistas da Marvel Now!

  • 22 de março de 2017 em 21:27
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    A DC tem desde 2015 a linha DC Bombshells também. Primeiramente lançadas em formato digital, e depois em versão impressa, hoje em dia lá fora ainda sai dos dois jeitos, e tem pra compra digital no Comixology. Mas não lembro de ter visto a publicação aqui até hoje. Tenho acompanhado Miss Marvel e Jessica Jones, dentre as da Marvel, e as coisas que a Panini tem lançado principalmente da Mulher Maravilha, no quesito DC, e algumas coisas da Arlequina. Ainda tenho esperança das Bombshells saírem por aqui também, em bom português, nas bancas. 🙂 E não só a arte, mas o roteiro também, tudo feito por mulheres. 🙂

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    • 23 de março de 2017 em 00:58
      Permalink

      Oi! Então, acrescentei as DC Bombshells na conta que fiz de todos os quadrinhos com mulheres quando comecei a fazer pesquisa e cheguei até a ler algumas edições porque acho o traço lindíssimo e todo conteúdo muito bom também.
      Infelizmente, essa grande maioria de HQ’s nunca chega por aqui, seja por questões editoriais da Panini (que tem os direitos dos selos) ou por questões de público, talvez pensem que não vá vender… Por isso consumo digitalmente e não fico tão dependente assim de editoras brasileiras.
      Podemos só torcer porque Wonder Woman da Rebirth está lindíssima, ano um muito bem construído e esse quero comprar na banca e/ou loja especializada!

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