Na Estante: Novo romance de David Nicholls cativa por sua realidade melancólica

Ainda que tenha o costume de consumir mais livros de autores norte-americanos, são os britânicos que realmente fazem a minha cabeça. É com eles que consigo me relacionar melhor e o humor é exatamente o meu tipo de humor. Tudo começou com a Joanne, ah, vocês sabem! J.K. Rowling e todos os livros de Harry Potter. Mesmo sendo literatura infanto-juvenil, foi o primeiro passo em direção a um mercado literário completamente novo.

Não que isso influencie diretamente na minha escolha sobre ler ou não determinado livro. Mas, a coincidência ao descobrir isso depois foi no mínimo curioso.

E foi assim que Um Dia veio parar na minha mão. Assisti ao filme e automaticamente a curiosidade sobre o livro apareceu e me fez adquiri-lo. Logo, o autor ganhou espaço considerável no meu hall e quando li a sinopse de Us que coincide com alguns projetos pessoais, tive que colocar o título na frente de todos os outros.

21423525Us narra com certa melancolia parte da vida da família Petersen e como seu patriarca Douglas, um homem bonachão, trabalhador e extremamente travado tenta fazer com que ela não se rompa, já que num belo dia Connie decide que quer se divorciar. Como Albie é o único filho do casal, e está indo para a faculdade no semestre seguinte, ela já não vê mais sentido na vida, ficando apenas os dois em casa. O rapaz é igual a mãe, espirituoso, como Connie gosta de dizer, um artista e quer ser fotógrafo, nada do que Douglas desejou para seu único filho e justamente por isso acabam brigando tanto, e para piorar, Connie sempre fica a favor de Albie, ainda que ele esteja errado na maioria das vezes.

Douglas então tem a ideia de irem fazer uma viagem em família pela Europa a fim de consertar erros do passado, evitar que Connie continue com a ideia do divórcio e quem sabe, estreitar laços com o filho. No entanto, a viagem começa a dar errado desde o início e os três terão muito o que enfrentar durante visitas a lugares como Amsterdã, Roma e Espanha.

A narrativa nos conduz através dos olhos de Douglas e é impossível não sentir uma empatia imediata com o bioquímico e querer defendê-lo de todos os problemas que passam a surgir, principalmente os de comunicação, que é o grande mal que paira sob a família Petersen. Desajeitado e senhor das regras ele realmente acha que sabe o que está fazendo, mas Connie protege o filho de todas as lições que o pai tenta lhe ensinar causando estresse sem tamanho entre os três. Por fim, Douglas se vê sozinho em uma família que ele nem tem certeza que o ama, mas que ele sabe bem que quer manter a qualquer custo. Se prepare para sentir raiva e por vezes, querer fechar o livro. Mas, tudo isso só acontece pela ligação emocional que surge desde a primeira página. Algo que Nicholls consegue realizar com tamanha destreza em seus livros.

A linha do tempo mistura o presente e o passado através de narrativas de como Douglas e Connie se conheceram e começaram a namorar, culminando nas razões do porquê decidiram viajar. Logo é possível descobrir que o casal sempre foi como água e vinho desde o início e os motivos que levaram com que Connie se apaixonasse acabam sendo os mais superficiais possíveis. Há ainda momentos divertidos e muita referência a cultura pop.

Us acaba sendo melancolicamente real ao nos conduzir por essa viagem que deveria ser dos sonhos e acaba se tornando um desastre, com emoções borbulhando e segredos surgindo a cada novo país e entrar e sair de trens e hotéis.

Mais um sucesso de David Nicholls que chega às lojas em 14 de Maio com selo da Editora Intrínseca.

Melissa Andrade

Jornalista, Crítica de Cinema há mais de 10 anos, Podcaster, extremamente curiosa, com incontáveis pequenos conhecimentos em diversas áreas e Marvete com orgulho!

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