Review: Em “Um Holograma Para o Rei” falta motivação

gradedmaisO nome do autor Dave Eggers começa a fazer barulho em Hollywood. Seus livros que questionam problemas existenciais e sociais estão sendo explorados pela indústria. Seu best seller O Circle vai ser o próximo a ganhar adaptação para os cinemas. Aqui Um Holograma Para o Rei peca na motivação que existe nas páginas do livro.

Tom Hanks é o vendedor Alan que está com a corda no pescoço e precisa fechar negócio com o Rei da Arábia Saudita se quiser garantir que sua filha vá para a faculdade no próximo semestre e, assim, tirar a ex-esposa do seu pé. Só que o encontro com o Rei é adiado inúmeras vezes e Alan vai precisar aprender a lidar com os novos costumes e quebrar um pouco as regras para conseguir o tal encontro.

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Um Holograma Para o Rei não apresenta nada de novo. É mais um filme sobre superar obstáculos e conseguir encontrar a si mesmo e um novo caminho durante todo o processo. Hanks entrega uma atuação pontuada, tenta captar a atenção do espectador, mas a fragilidade do roteiro dificulta tal feito. As locações são incríveis, com uma fotografia riquíssima, todavia o filme acaba tropeçando nos próprio cliches que alimenta. O do homem branco americano de classe média que parece encontrar a felicidade nos braços de uma mulher estrangeira ao tentar qualquer coisa num outro país. Não só isso, a construção do longa engasga em diversos momentos e não desenvolve como deveria.

Tendo em vista que o conceito é um obstáculo ou obstáculos a ultrapassar, Hanks encontra pouquíssima dificuldade para tal e opta pela saída mais simples. Estando num cenário tão rico e diferente, poderiam ter explorado mais sua imersão em um outra cultura, mais rígida, infelizmente preferem apenas pincelar essa parte que é descrita com mais detalhes no livro.

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Alguns acreditam que ter um nome ou muitos nomes de peso ajuda a levantar títulos de filme. Geralmente o marketing trabalha dessa forma para promover longas, vide o recente caso da Warner Bros e as cenas deletadas do Coringa em Esquadrão Suicida. Contudo, nem sempre isso é possível e apenas o nome de Tom Hanks não consegue sustentar, nem de longe, esse filme.

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Melissa Andrade

Jornalista, Crítica de Cinema há mais de 10 anos, Podcaster, extremamente curiosa, com incontáveis pequenos conhecimentos em diversas áreas e Marvete com orgulho!

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