Review: ‘Jackie’ mostra a verdade por trás do ícone

gradebmaisO longa dirigido por Pablo Larraín e com roteiro de Noah Oppenheim traz a tona os acontecimentos envolvendo o assassinato do então presidente Kennedy através da perspectiva daquela que esteve ao lado dele nesse momento tenebroso, Jackie, a esposa e mãe de seus dois filhos.

Sabemos que os Estados Unidos tem a sua cota de tragédias que acabaram entrando para os anais da história mundial. Um fato muito lembrado até hoje é o assassinato do 35º presidente americano, tido como um dos mais populares e que na época estava a um passo de autorizar a inclusão de direitos civis para os afro-americanos como também ampliar a corrida espacial. Agora, o que quase ninguém sabe, por uma questão de sigilo pessoal como é retratada no filme, foi o desenrolar após o evento fatídico lá em Novembro de 1963 e como Jackie Kennedy lidou com a situação, tendo que enfrentar não apenas o luto de ter perdido seu marido, mas amparar os filhos pequenos e também se preocupar em construir uma memória significativa do Kennedy de modo que ele jamais caíssem no esquecimento, como ocorreu com outros que vieram antes dele e sofreram o mesmo destino.

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Não há nada de novo em relação ao assassinato do presidente. Não tem testemunhas novas, não tem a visão do assassino, nem a polícia capturando o indivíduo, a repercussão na mídia impressa e televisiva, nada disso. É única e quase que exclusivamente a visão da primeira dama sobre o ocorrido e a forma que ela decidiu lidar com toda a pressão para tomar decisões em um momento que necessitava reclusão. Mostra a resiliência de Jackie em não desmoronar perante a comitiva presidencial, nem mesmo na frente de seu cunhado que estava sofrendo assim como ela. Tal percepção só é possível graças a atuação singular de Natalie Portman que encarnou uma primeira dama com elegância e vivacidade, mas sem torna-la uma personagem caricata. O jogo de câmera e os ângulos escolhidos por Larraín contribuem bastante para transpor essa sensação ao espectador, já que procurou utilizar mais planos abertos e closes que centralizam a nossa visão bem mais na personagem principal do que nos demais em cena.

Todavia, não chega a ser uma trama que consiga transpassar o oceano e cativar mais espectadores do que os americanos, pois estamos falando de um ícone próprio da cultura deles e que é relembrado até hoje. Tanto o John F. Kenndy quanto a figura de Jackie Kennedy, cujo senso de moda ecoa pelo mundo e é copiado constantemente, foram importantes, porém foi ela quem optou por tornar a Casa Branca mais do que o lar do presidente eleito, mas sim transformar quase que em um centro histórico e que abrigaria memórias de todos aqueles que passaram e ainda iriam passar pelo cargo, assim como os funcionários. Não obstante Jackie decidiu manipular de forma indireta a opinião do povo americano ao dar entrevistas e reescrevê-las, ali no ato, de modo que nenhuma de suas palavras fosse deturpada. Suas entrevistas eram honestas, contudo, o repórter não tinha autorização para transcrever palavra por palavra, pois ela afirmava que iria negar tudo e ele perderia a credibilidade.jackie3

Por fim, Jackie torna-se uma ode a resiliência feminina sem exalta-la em direto ao apresentar para o espectador a verdade por trás de um ícone americano que não era visto como deveria e que ia além do papel de uma primeira dama com bom gosto na hora de se vestir e saber organizar festas de gala. Jackie Kennedy possuía uma inteligência e perspicácia que poucos tiveram a oportunidade de presenciar e vai continuar sendo um exemplo para mulheres do mundo todo, mesmo com uma história de vida tão trágica.

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Melissa Andrade

Jornalista, Crítica de Cinema há mais de 10 anos, Podcaster, extremamente curiosa, com incontáveis pequenos conhecimentos em diversas áreas e Marvete com orgulho!

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