Review: “Para Sempre Alice”

Ninguém gosta de ficar doente. Algumas vezes é seu corpo dando sinais de que você precisa diminuir o ritmo e levar uma vida menos estressante, outras vezes é seu organismo alertando para consumo de alimentos não tão benéficos como fast food, ingestão de muito açúcar e/ou sal. Tudo isso são circunstâncias causadas por nós mesmos que abusamos demais.

Mas, e quando não é nossa culpa direta? Como lidar?

Alice Howland é uma professora de linguística bastante conceituada que vê sua vida desmoronar aos poucos ao descobrir que tem Alzheimer precoce. O que antes eram tarefas simples como lembrar ordens de ingredientes e quantidades, números de telefone ou mesmo onde guardou o celular, se tornam quebra-cabeças complicados. Sua mente começa a se deteriorar mais rápido do que consegue exercitá-la e Alice que sempre foi uma mulher independente, se vê presa aos cuidados de sua família que assim como ela, parecem perdidos diante do diagnóstico e da progressão avançada da doença. Ainda assim, ela tenta lutar o máximo que pode para manter a única coisa que sempre conheceu muito bem: ela mesma.

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Para Sempre Alice é um filme cru, honesto e objetivo. Suas pretensões e almejos são facilmente alcançados graças a brilhante atuação de Julianne Moore, a quem o longa deve seu sucesso. Vemos a atriz definhar diante de nossos olhos, porém não fisicamente, e sim, internamente. O brilho em seu olhar vai sumindo de cena em cena até não passar de nada além de uma casca vazia, pois, o que outrora habitou ali, não mais consegue enxergar a luz. E se a atuação de Moore é espetacular, por outro lado, o mesmo não pode ser dito sobre seus colegas, a sua família. Os atores presentes não procuraram fazer qualquer esforço extra e parecem mais perdidos ali do que a personagem principal. Desenvolvem atuações apáticas e mesmo sendo uma família, parece faltar um ingrediente fundamental, a compaixão. Não existe qualquer empatia e parecem estar ali unicamente para servir de ponte para que Moore tivesse seu destaque e eventualmente, faturasse a estatueta do Oscar. Lamentável.

O tema do Alzheimer é tratado com todo respeito e fica impossível não se comover com o drama vivido por Alice, ou mesmo, se colocar no lugar dela algumas vezes. Pois, para aqueles que contam com o intelecto e a memória como meio principal de trabalho, essa é possivelmente a pior doença de todas, afinal, ainda seríamos nós se não soubéssemos mais quem somos?

Melissa Andrade

Jornalista, Crítica de Cinema há mais de 10 anos, Podcaster, extremamente curiosa, com incontáveis pequenos conhecimentos em diversas áreas e Marvete com orgulho!

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